sábado, 14 de março de 2015
Sobre as manifestações
Durante três anos e dois meses em que estive trabalhando enquanto jornalista, acompanhei várias manifestações: Pelos 20 centavos, pelo Passe Livre, pela causa dos rodoviários, pelos metroviários, pelos estudantes... algumas até mais de uma vez, afinal, tão previsível quanto 1+1 = 2, bastava um aumento na passagem, um dissídio ou qualquer outra atividade que envolvesse uma classe e era certo que teríamos protestos, nem sempre pacíficos.
Nesses anos, como repórter, precisei - muitas vezes - abster-me de opinião própria em nome de uma imparcialidade que todo bom jornalista deve exercer. Nunca fui às ruas, se não fosse com um crachá e uma câmera na mão. Não cabia a mim emitir opinião, apenas retratar o que era visto.
Vi ônibus sendo depredados. Vi vândalos quebrando vidro do Cine São Luiz, vi "manifestantes" arrancando placas de trânsito pelo simples prazer de destruir. Vi "black block" de frente. Corri de bala de borracha. Bomba de gás lacrimogênios. Me assustei. Tremi. Mas escrevi ouvindo as "duas partes"e sendo imparcial.
Amanhã é dia de ir às ruas. Não sei se teria a mesma coragem se meu namorado não tivesse comigo. Amanhã vou lutar pelo que acredito. Vou dizer que não precisamos mais disso. Vou por lembrar que um dia o real foi equiparado ao dólar. Vou porque já tivemos dias ruins, mas que foram solucionado. Vou sem bloquinho, sem câmera, sem olhar jornalístico. Vou como cidadã. Vou como brasileira que se sente envergonhada com tanta corrupção. Vou na esperança de mudança. Vou porque estudei a vida toda, me esforcei, passei necessidade, paguei minhas contas e não acredito que um benefício de R$ 60 reais vá resolver o problema da fome, quando todo dia os preços dos alimentos do supermercado aumentam. Vou porque não acredito que programas sociais que levam meia duzia de "estudantes" para conhecer outro país, às custas do nosso dinheiro, seja a solução para termos um país sem fronteira. Vou porque não acredito que trazer médicos estrangeiros sem dar o mínimo de estrutura necessária e capacitação para profissionais daqui, que estudam por anos, vá resolver o problema da saúde no país. Vou porque faço parte dos 48% dos que não votaram no partido que diz que é dos trabalhadores, mas que reforma às regras apenas para benefício próprio, sem pensar nos milhares de trabalhadores que ficam desempregados todo dia. Vou porque não tenho uma causa individual, como a grande parte dos eleitores petistas, mas por uma causa conjunta. Uma causa que não vai beneficiar "uma pseudo" minoria, mas um país inteiro. Ir às ruas neste domingo não é histeria. Ir às ruas é mostrar que não está satisfeito e que não precisamos de mais quatro anos para ver o país afundar.
Dia 15 de março: Eu vou! Vou porque eu não vou desistir do Brasil.
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Paz e Bem!
Paz e Bem!!!
"Paz e Bem" é o mesmo que dizer: o amor de Deus que trago em meu ser, é a mesma pessoa que reconheço nos outros e no mundo e, por causa d'Ele, devemos viver a caridade - o Bem - entre nós.