Me conformava com o que era dado e se, algumas vezes, dobrei meus joelhos era muito mais por agradecimento do que pedido.
Embora católica, subir o morro nunca foi expressão de devoção. Seguia andando da Mustardinha até Casa Amarela, subia cada degrau ainda na madrugada do dia 8 de dezembro e me encantava com a demonstração de amor das pessoas que estavam ali. Demonstração de fé. Aquelas pessoas subiam o morro de joelhos, com tijolos na mão e eu entendia que Deus não queria nada daquilo, mas que, pela sinceridade daqueles corações ele perdoava os excessos e aceitava as súplicas e gratidões. Nunca tratei de religião como "escambo", onde algo é dado em retribuição ao que é alcançado.Anos depois, busquei na beleza da fé dos outros. E passei a ir para outras religiões. Na beira da praia, no dia 2 de fevereiro, sentia uma grande alegria por aquelas pessoas que estavam lá, demonstrando sua fé sem medo e sem (pre)conceito. Pessoas iguais a mim. Pessoas iguais a tantas outras, demonstrando gratidão àquela que acredita ser sua mãe.
De tanto admirar a fé dos outros, esqueci de cuidar da minha...e não percebi que, durante muito tempo, nada mais fazia sentido. E por mais que eu frequentasse todas as instituições religiosas, eu não consesguia sentir "a fé que é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem (Hb 11,1), simplesmente por aceitar o que é dado, sem esperas...sem desejos.
Nunca soube orar. Minha oração era uma conversa. Um "bate papo" com Deus. Eu acreditava que ele já sabia o que eu estava pensando, o que estava precisando e o que eu poderia, por ventura, pedir.
E foi assim que, em uma conversa recente, me vi obrigada a refletir sobre o que realmente era o Sagrado em mim e só assim percebi que há muito tempo me perdi.
(Angélica Souza)
Mas tem coisas que não faço, não são minhas, dependem somente do seu querer
O milagre se dará por duas vias
Uma é minha e a outra deixo pra você
Se você trouxer a mim a sua água eu devolvo vinho
Chega mais perto, não tenha medo
Não diga nada, silêncio é palavra que não faz segredo
Se for preciso enxugo o seu rosto
O milagre se dará por duas vias
Uma é minha e a outra deixo pra você
Se você trouxer a mim a sua água eu devolvo vinho
Chega mais perto, não tenha medo
Não diga nada, silêncio é palavra que não faz segredo
Se for preciso enxugo o seu rosto
Lágrimas são fragmentos de história que posso entender"
(Pe. Fábio de Melo)
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