domingo, 23 de março de 2014

Férias: Sobre a Catedral de Buenos Aires

Entanto eu caminhava pela Catedral, entre tantos dourados e ostentações, fiquei imaginando onde Deus estaria no meio disso tudo. Por entre as paredes frias de imagens belas, antigas e históricas, tentei imaginar que Deus é esse que se utilizaria de artifícios para demonstrar presença. Enquanto o ouro se espalhada por entre as capelas, era possível ver pessoas que, assim como eu, estavam ali apenas para conhecer o "local onde o Papa Francisco celebrava" ou o "estranho mausoléu do General San Martin. Como nas grandes metrópoles, pedintes eram ignorados na porta de entrada. Famílias. Mães, filhos no frio de 11 graus que fazia la fora. Como conjunto arquitetônico, a catedral é bela... como "Casa do Povo de Deus" é esse fria. Em um ponto um padre atendia - ou aguardava quem quisesse se confessar. No outro, uma capela "reservada exclusivamente para oração (toda a catedral não e?). Não havia ninguém. Eis que Deus se fez presente... um gesto de uma mulher me mostrou que Deus está onde houver fé (onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome...) e la ela estava. Com um gesto de verdadeira oração ela estava. Não sei se pedindo ou agradecendo. Não sei seus propósitos, mas pude sentir a força de sua oração aos pés da cruz. Não sei quem ela é. Mas estou profundamente agradecida por ter sido uma mensageira de Deus. Oração tornou as paredes frias em uma luz. E fez minha visita valer a pena.

(Angélica Souza)

segunda-feira, 17 de março de 2014

FÉRIAS: Primeiro dia no Rio de Janeiro

Eram 10h da manhã da segunda-feira (17) quando desembarquei no Galeão. O primeiro pensamento? AGORA É REAL. Eu estava viajando sozinha em uma cidade desconhecida. A insegurança me fez pegar um táxi credenciado (que normalmente é mais caro do que um táxi comum) que me levaria até o meu hotel, na Lapa.
Do caminho do aeroporto até o hotel, nada demais. Uma cidade como outra qualquer. Um taxista falante. Uma menina olhando a paisagem, tentando descobrir o que havia de tão encantador na "Cidade Maravilhosa". Enfim, cheguei ao hotel. Uma hospedagem simples, mas bem conservada ao lado do arco da Lapa.
Meu primeiro encantamento foram as escadarias de Selaron, há poucos metros do hotel.

Check in realizado! Hora de aventurar.
Almocei em um boteco, nas mesma rua do hotel. Interessante observar o quanto as pessoas ainda estranham uma mulher sozinha em qualquer estabelecimento.
O garçom - nada discreto - perguntou se eu era carioca, se estava viajando a passeio ou a trabalho, se conhecia o Rio...enfim, puxando assunto enquanto sugeria um arroz com brócolis e peixe frito. Aceitei a sugestão e saí correndo dali. A cidade me chamava.





Primeira visita às escadaria Selaron. Já havia ouvido falar em algum documentário de TV. Me encantei. Cada pedrinha colocada. Cada cor. Cada detalhe. Simplesmente linda. Uma arte que não sabemos até quando irá durar. O local tem pouco policiamento e algumas pedrinhas já estavam fora do lugar. Um trabalho de muitos anos sendo destruídos por pessoas que têm como único prazer danificar o bem comum.




Saindo da rua fui andando... sem rumo. Sem destino. Eu estava no RIO DE JANEIRO. uhuhuuuuuuuuu... caminhei e quando parei na faixa de pedestre perguntei: - Como chego até às praias? (Não sabia nem qual praia eu queria ir).
O gentil carioca me explicou como pegar um metrô. "segue pelo passeio, quando chegar nas lojas americanas tem uma estação, da candelária"...
Ok. ok...mas, onde é o PASSEIO?
Ele, pacientemente, me explicou e enfim encontrei a estação de metrô.
Pior que em Recife, as linhas se cruzam... linha norte, sul...azul, laranja, sei lá que cor.
Peguei uma linha e desci no Cantagalo. Sai caminhando até, finalmente, encontrar a praia. Copacabana. Parecia até a novela das 21h. O Rio de Janeiro continua lindo.
Acostumada com as nossas águas quentinhas. Arrisquei colocar os pés e me batizar com as águas cariocas...FRIO TOTAL! A água do mar de Copacabana não é fria não...é uma extensão da geladeira do céu. Um lugar lindo, parece o paraíso, mas o banho...nossa! Desisti do banho de mar. Tomei uma água de coco e voltei para minha aventura metrô no Rio.


Caminhei pela Candelária. Vi o Teatro Municipal. Me encantei com tudo.
Quase 19h, jantei no hotel mesmo...e fui curtir minha primeira noite sozinha...dormindo!

PS. Sim, há uma desvantagem em viajar sozinha. Fazer Selfie o tempo inteiro. hehehhehe Ainda bem que tá na moda!


FÉRIAS: A decisão

Quando decidir viajar um mundo de possibilidades se abriu em minha mente. Confesso que tive medo e com o passar dos meses vendo que não teria companhia, me assustei. Meus amigos já tinham compromissos. Afinal, março não é um mês tão fácil das pessoas estarem de férias. Fiquei temerosa. Fiquei, por vezes, triste, me sentindo só. Se por um lado havia uma garra dentro de mim e um desejo de enfrentar meus medos, do outro estava meu lado mais verdadeiro: sou uma menina assustada e carente. Era sexta - minha viagem estava marcada para a segunda- e eu já havia perdido toda a vontade de viajar. Sequer havia comprado uma mala, embora tivesse com as passagens e hospedagens compradas desce novembro do ano passado. Viajar era um desafio. Uma prova para mim mesma de que eu era capaz, forte e corajosa. Muita gente acredita que sou isso. Talvez  na maioria das vezes eu seja mesmo. Mas manter a decisão de viajar, ainda que sozinha, foi uma afronta a mim mesma. Eu estava disposta a provar que conseguia. E aqui estou. Malas na mão. Coragem no peito. Sorriso no rosto. E o Rio de Janeiro, se prepare, porque eu to chegando.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Percepção de solidão

Uma mulher entra no cinema, sozinha. Acomoda-se na última fila. Desliga o celular e espera o início do filme. Enquanto isso, outra mulher entra na mesma sala e se acomoda na quinta fila, sozinha também. O filme começa.

Charada: qual das duas está mais sozinha?

Só uma delas está realmente sozinha: a que não tem um amor, a que não está com a vida preenchida de afetos. Já a outra foi ao cinema sozinha, mas não está só, mesmo numa situação idêntica a da outra mulher. Ela tem uma família, ela tem alguém, ela tem um álibi.

Muitas mulheres já viveram isso - e homens também. Você viaja sozinha, almoça sozinha em restaurantes, mas não se sente só porque é apenas uma contingência do momento - há alguém a sua espera em casa. Esta retaguarda alivia a sensação de solidão. Você está sozinha, não é sozinha.

Então de repente você perde seu amor e sua sensação de solidão muda completamente. Você pode continuar fazendo tudo o que fazia antes - sozinha - mas agora a solidão pesará como nunca pesou. Agora ela não é mais uma opção, é um fardo.

Isso não é nenhuma raridade, acontece às pencas. Nossa percepção de solidão infelizmente ainda depende do nosso status social. Se você tem alguém, você encara a vida sem preconceitos, você expõe-se sem se preocupar com o que pensam os outros, você lida com sua solidão com maturidade e bom humor. No entanto, se você carrega o estigma de solitária, sua solidão triplicará de tamanho, ela não será algo fácil de levar, como uma bolsa. Ela será uma cruz de chumbo. É como se todos pudessem enxergar as ausências que você carrega, como se todos apontassem em sua direção: ela está sozinha no cinema por falta de companhia! Por que ninguém aponta para a outra, que está igualmente sozinha?

Porque ninguém está, de fato, apontando para nenhuma das duas. Quem aponta somos nós mesmos, para nosso próprio umbigo. Somos nós que nos cobramos, somos nós que nos julgamos. Ninguém está sozinho quando curte a própria companhia, porém somos reféns das convenções, e quando estamos sós, nossa solidão parece piscar uma luz vermelha chamando a atenção de todos. Relaxe. A solidão é invisível. Só é percebida por dentro.

( Martha Medeiros)

Paz e Bem!

Paz e Bem!

Paz e Bem!!!



"Paz e Bem" é o mesmo que dizer: o amor de Deus que trago em meu ser, é a mesma pessoa que reconheço nos outros e no mundo e, por causa d'Ele, devemos viver a caridade - o Bem - entre nós.