sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

"Que mundo é esse que nos oferta tanta coisa, mas não oferece nada do que precisamos realmente? Que maravilha de sociedade é essa que nos entope de porcaria na televisão, que nos dá a ilusão de termos tantos amigos, que sugere termos tanto conforto e informação, quando na verdade a quantidade é virtual e o vazio é imenso"?

Ano novo



Ano-Novo é uma convenção. Os dias correm em sequência. De 31 de dezembro para 1º de janeiro ocorrerá apenas mais uma sucessão de 24 horas em que nada mudará, tudo seguirá do mesmo jeito. Pois é, sei disso, mas é um ponto de vista sem nenhuma alegria. Sou das que compram o pacote de Ano-Novo com tudo que ele traz em seu imaginário: balanço de vida, reafirmação de votos, desejos manifestos e esperança de uma etapa promissora pela frente.

Faço lista de projetos e tudo mais. Só que, quando chega o fim do ano e avalio o que consegui cumprir, descubro que o inesperado superou de longe o esperado. As melhores coisas do ano sempre foram aquelas que eu não previ. Então tomei uma decisão: nessa virada, não vou planejar coisa alguma e aguardar as resoluções que 2012 tomará para mim, à minha revelia.

Mas poderia dar algumas sugestões?

2012, anote aí: que as coisas mudem, mas não alterem meu estado de espírito. Não deixe que eu me torne uma pessoa ranzinza, mal-humorada, desconfiada, sem tolerância para as diferenças. Aconteça o que acontecer, que eu me mantenha aberta, leve e consciente de que tudo é provisório.

Não quero mais. Quero menos. Menos preocupações, menos culpa, menos racionalismo. Pode cortar os extras. Mantenha apenas o estritamente necessário para me manter atenta.

Está anotando?

Espero que você esteja com ótimos planos para sua amiga aqui. Lançarei livro novo? Permita que eu seja abusada: dois. Sendo que nenhuma coletânea de crônicas, nem romance. Me ajude a variar.

Que lugares conhecerei que ainda não conheço? Que pessoas entrarão na minha vida que, quando cruzo com elas na rua, ainda não as identifico? Que boas notícias ouvirei das minhas filhas? Quantos shows terei o prazer de assistir? Estou curiosa para saber o que você está aprontando para incrementar os meses que virão.

Prometo que estarei preparada para receber o abraço afetuoso de quem antes me esnobava, para a frustração por tudo o que for cancelado, para voltar atrás nas minhas teimosias, para me dedicar a algo que nunca fiz antes.

Estarei disposta a tirar de letra os espíritos de porco e assumir a responsabilidade pelas asneiras que eu mesma cometer. E estarei pronta também para uma grande surpresa, ou até duas. Três, meu coração não aguenta.

Se a dor me alcançar, que me encontre com energia e sabedoria para enfrentá-la. Que eu não me torne dura diante dos horrores, nem sentimentaloide diante das emoções. 2012, os acontecimentos são da sua alçada. Da minha, cabe recepcioná-los com categoria.

Quais são seus planos para mim, afinal? Talvez nem todos sejam do meu agrado, portanto, que eu não tenha constrangimento em dizer “não, obrigada”, caso seja preciso. Mas que eu me sinta mais predisposta para o sim.

Se estamos de acordo, pode vir.

Martha Medeiros

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

RELACIONAMENTO x EXCESSO DE OPÇÃO...

Batendo um papo hoje (pelo whatsapp, não pelo telefone, como antigamente), levantei esta questão e me inspirei à escrever!

Como é difícil, nos tempos atuais, manter um relacionamento!!! Sim...porque a cada, sei lá, 100 casais que eu vejo se formar, uns 3 vão adiante...se muito!

Aí eu leio algumas bobagens (desculpem a sinceridade), tais quais: "acabou o amor". Que papo torto, o amor não acabou! Ele ficou banalizado, talvez. Não vou citar nomes, mas vejo menina que namora, mas no "inbox" fica dando mole pra amigo meu...e depois de dizer coisas do tipo "vamos marcar um chopp, mas precisa ser na terça", lá está ela postando foto com o namorado com dizeres do tipo "amor pra toda vida". Sim...é isso aí! Não tô sendo machista, o contrário também ocorre, só usei exemplo que vivenciei.

Uma das causas disso é o "descrédito" no sentimento do próximo. A pessoa está lá, namorando, "feliz", mas fica antenada nas "possibilidades", não se entrega por completo!
É tipo: "te amo, mas se vc der um mole já tenho uma fila de espera atrás de você". As pessoas buscam as soluções mais práticas, não se faz mais casal como antigamente, aonde quando algo dava errado, lutava-se pra superar. Não é só com o amor, é com tudo. Quem aqui leva microondas pra consertar??? Quebrou, compra outro! Tá tudo errado!!!

Dentre tantas vertentes, tantas possíveis causas, na minha visão, está o "Excesso de Opção"...
É, amigos, aqui que o bicho pega...

Há muito tempo atrás, conheci uma menina...meu coração disparou, eu era um adolescente...foi arrebatador...foram 9 anos de namoro, de devoção...admiração...amor...
Lembro que o telefone dela tinha 7 digitos...faz tempo...rs...nem sonhava com celular!
Éramos "crianças"...mas durou, NOVE anos...mas SÓ FOI POSSÍVEL, porque não tinha orkut, facebook, twitter, celular, sms, whatsapp, email, par perfeito, badoo, eharmony, instagram, wechat, msn, bate papo da uol, tinder e nenhuma destas porras!!! rsrsrs

A EVOLUÇÃO necessária e que amamos, trouxe a INVOLUÇÃO das relações interpessoais...ou das intrapessoais? Aposto na segunda opção...porque as pessoas parecem mesmo é não saber se comunicar consigo...não sabem o que de fato querem!

Hoje em dia, as coisas mudam numa velocidade tão escrota, que fica difícil acompanhar!
Antigamente você tinha o telefone fixo e o endereço da pessoa. "Quer falar comigo, me manda uma carta!".

Pensa comigo:

O casal se conhece, se curte, se conquista, se apaixona, se ama...vive bem, caminhando e construindo uma história a dois. Todos, TODOS, querem isso! Ou quiseram um dia! Ou vão querer! Mas as pessoas trabalham fora, malham, praticam atividades físicas, fazem cursos, pós, etc...conhecem cada vez mais pessoas. Isso faz com que elas tenham muitos contatos! E isso é genial!!! E com a evolução, veio a "individualidade" e suas "contradições". Raros são os casais em que um pega o celular do outro. Raros são os casais em que um sabe a senha do facebook ou do email do outro. Raros, inclusive, os casados que tem conta corrente conjunta...
Mas isso é normal hoje! Mais raro ainda os casais aonde um foca de verdade no outro. As mulheres se igualaram, traem da mesma forma...ou mais...sei lá, parece um lance de "tirar o atraso da história evolutiva da sociedade", como se "todo homem fosse igual"...mas e aí eu pergunto: as mulheres são diferentes?
Hoje, INFELIZMENTE, todos são iguais...

Todos querem amar...tipo, a grande maioria das mulheres e arrisco dizer, também dos homens, quer, em uma certa idade, casar, ter filhos, criar sua própria família, com êxito.
Dar continuidade. Mas é igual querer ganhar na mega-sena. Todos querem...mas todos jogam??? Existe uma diferença enorme entre querer e "querer". Sempre queremos aquilo que parece mais correto. Mas fazemos por onde? Quantas pessoas você conhece que nunca foram infiéis??? Desculpem, amigos, mão no fogo só coloco por um ou dois...e pior, ambos são homens!
rsrsrs

Não critico a mulherada, eu acho que tem que ser isso mesmo, elas são iguais, mas são, na verdade, superiores. Amadurecem antes, são mais objetivas e melhor: não vivemos sem elas!

Sabe o que é legal nisso tudo? Aquela FDP que "roubou" seu namorado, minha querida, também já foi corna...ou irá ser de novo! Então a culpa é nossa mesmo, porra!
Meu camarada, se tu fica lá, assediando a mulher do cara, só à espreita da primeira fragilidade do casal, você contribui pra ele ser sacaneado, mas um dia alguém vai fazer isso com você também!
Círculo vicioso, seria o termo!

O instituto da "família" está falido??? Salvam-se raras exceções??? O mundo tá perdido???

Porra nenhuma! Eu acredito SIM que no meio de tanta sujeira, de tanta escrotidão, ainda existam pessoas com sentimentos nobres. E mais: não sei se é otimismo ou excesso de fé, mas me incluo entre os que tem/terão uma pessoa assim. E se eu posso, você também deveria poder...

Então: não chore por pessoas que não te querem...não almeje pessoas que não irão te querer...olhe ao seu redor...abaixe um pouco a guarda...pense no que é de fato primordial pra você...pense aonde você desejaria estar daqui a 6 meses, daqui a 1 ano...daqui a 3 anos...descubra se o caminho que você está trilhando, te leva nesta direção...se a resposta for "não", tome as rédeas da sua vida, deixa de ser inerte e vá em busca do seu sonho!

E mais: não banalize as palavras...nem os sentimentos...só "ame" quem você de fato amar...só planeje, com quem de fato você quer ficar...só se dedique, a quem você de fato quer conquistar!

Facilita...Desapega...Permita-se!
Autor: Desconhecido

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

INTIMIDADE: PRÓS E CONTRAS

As pessoas desancam o casamento. Dizem que o amor mingüa, que o sexo começa a rarear, que a rotina é acachapante. Dizem, dizem, mas as pessoas seguem casando e mantendo-se casadas por quilométricos anos. Qual é a boa dessa história? Uma jóia chamada intimidade. Íntimos, muitos acreditam, são duas pessoas que possuem relações físicas e emocionais entre si. É bem mais que isso. Intimidade é você não precisar verbalizar tudo o que pensa, é aceitar a solidão do outro, é estarem familiarizados com o silêncio de cada um. Intimidade é não precisar estar linda em todos os momentos, não precisar ser coerente em todas as atitudes, é rirem juntos de uma história que só eles conhecem o final.

Intimidade é ler os olhos, os lábios e as mãos de quem está com você. Mais do que repartir um endereço, é repartir um projeto de vida. Não basta estar disponível, não basta apoiar decisões, não basta acompanhar no cinema: intimidade é não precisar ser acionado, pois já se está mentalmente a postos.

Intimidade é não ter vergonha de ser o que a gente é, não precisar explicar coisa alguma, ser compreendido e brigar sabendo que nada irá se romper. Intimidade é não precisar andar na ponta dos pés pelos corredores de uma vida compartilhada.

Muitos mantém-se casados por causa desse idílio que é não precisar se anunciar todo dia como um investimento seguro, podendo inclusive usar aquelas camisetas puídas e comer o "s" de um palavra no plural sem que a sua cotação desabe. Só há uma coisa ruim na intimidade: a falta que faz um pouco de cerimônia.

Calcinhas penduradas no banheiro, o telefonema sempre na mesma hora da tarde, o arroto que dispensa o pedido de desculpas, o lençol amarfanhado, a TPM todo santo mês, o mesmo perfume, as mesmas reações, o mesmo cardápio. O lado negro de um matrimônio feliz.

O casamento dá uma intimidade rara, apaziguadora, salutar. Não há máscaras nem teatro: é o habitat natural de um homem e de uma mulher que se querem como são. A intimidade salva as relações extensas, a não ser quando as corrói. Contradição maquiavélica. O melhor e o pior dos mundos, nos obrigando a escolher entre o habitual e a novidade, entre a paz e a adrenalina, entre a rede e o salto. Sedução x segurança: que vença o melhor.

Martha Medeiros

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Eu te amo

Outro dia estava assistindo a uma apresentação da poeta Elisa Lucinda num sarau em Porto Alegre, onde ela, mais uma vez, hipnotizou a platéia com seu talento vulcânico e seu humor. Num certo momento, ela questionou a razão de os homens terem tanto receio de dizer "eu te amo". Parece que dizer "eu te amo" tem um prazo de validade que dispensa repetições. Elisa fez piada: a mulher diz para o marido "eu te amo, e você?" e ele responde: "O que é isso, mulher, já não disse no aniversário do teu sobrinho ano passado? Parece que bebe!".

São de Elisa Lucinda os versos: "O euteamo é da dinâmica dos dias/é do melhoramento do amor/é do avanço dele/é verbo de consistência/é conjugação de alquimia/é do departamento das coisas eternas". Ou seja: se não nos basta ouvir uma única vez o barulho do mar, se nunca enjoamos do pôr-do-sol, por que o "eu te amo" teria que ser uma raridade em nossas vidas?
Bem, há uma explicação. Você pode dizer que gosta de uma pessoa, até mesmo que a adora, e isto não configurar um compromisso. Mas amar é outra história. O amor não é um sentimento efêmero, semanal. Não ama-se e desama-se como quem troca de roupa. O amor tem o caráter de permanência.

E num mundo de múltiplas possibilidades, de ofertas de amor em cada esquina, de ficação em festas e relacionamentos virtuais, quem vai querer se amarrar pela palavra?

Pena. Porque as pessoas amam. Amam muito. Podem até ficar com outras, mas quase sempre amam verdadeiramente alguém. E não se revelam. Não revelam esse amor para quem o desconhece, e nem mesmo para quem está ali, todos os dias ao seu lado, porque amar parece sinal de fraqueza, olhe só como andam tortas as ideias.

Amar cria raiz, sim. Cria, independente de ser verbalizado. Basta sentir o amor para que fiquemos dependentes dele, uma dependência boa, daquilo que nos faz sentir vivos. Dizê-lo em voz alta não nos acorrenta: ao contrário, nos liberta. Dizer "eu te amo" é presente pro amado. Como diz Elisa Lucinda, tudo na vida é novidade: comer, dormir, transar. Tudo é estréia, e amar, logicamente, também é sempre novo e passível de reconhecimento contínuo.

Meninos, digam. Meninas, digam. Se é o que estão sentindo, digam.
(Martha Medeiros)

O amor em estado bruto

O que é, o que é? Faz você ter olhos para uma única pessoa, faz você não precisar mais ficar sozinho, faz você querer trocar de sobrenome, faz você querer morar sob o mesmo teto. Errou. Não é amor.

Todo mundo se pergunta o que é o amor. Há quem diga que ele nem existe, que é na verdade uma necessidade supérflua criada por um estupendo planejamento de marketing: desde criança somos condicionados a eleger um príncipe ou uma princesa e com eles viver até que a morte nos separe. Assim, a sociedade se organiza, a economia prospera e o mundo não foge do controle.

O parágrafo anterior responde o primeiro. Não é amor querer fundir uma vida com outra. Isso se chama associação: duas pessoas com metas comuns escolhem viver juntas para executar um projeto único, que quase sempre é o de construir família. Absolutamente legítimo, e o amor pode estar incluído no pacote. Mas não é isso que define o amor.

Seguramente, o amor existe. Mas, por não termos vontade ou capacidade para questionar certas convenções estabelecidas, acreditamos que dar amor a alguém é entregar a essa pessoa nossa vida. Não só nosso eu tangível, mas entregar também nosso tempo, nosso pensamento, nossas fantasias, nossa libido, nossa energia: tudo aquilo que não se pode pegar com as mãos, mas se pode tentar capturar através da possessão.

O amor em estado bruto, o amor 100% puro, o amor desvinculado das regras sociais é o amor mais absoluto e o que maior felicidade deveria proporcionar. Não proporciona porque exigimos que ele venha com certificado de garantia, atestado de bons antecedentes e comprovante de renda e de residência. Queremos um amor ficha-limpa para que possamos contratá-lo para um cargo vitalício. Não nos agrada a idéia de um amor solteiro. Tratamos rapidamente de comprometê-lo, não com o nosso amor, mas com nossas projeções.

O amor, na essência, necessita de apenas três aditivos: correspondência, desejo físico e felicidade. Se alguém retribui seu sentimento, se o sexo é vigoroso e se ambos se sentem felizes na companhia um do outro, nada mais deveria importar. Por nada, entenda-se: não deveria importar se outro sente atração por outras pessoas, se outro gosta de fazer algumas coisas sozinho, se o outro tem preferências diferentes das suas, se o outro é mais moço ou mais velho, bonito ou feio, se vive em outro país ou no mesmo apartamento e quantas vezes telefona por dia. Tempo, pensamento, fantasia, libido e energia são solteiros e morrerão solteiros, mesmo contra nossa vontade. Não podemos lutar contra a independência das coisas. Aliança de ouro e demais rituais de matrimônio não nos casam. O amor é e sempre será autônomo.

Fácil de escrever, bonito de imaginar, porém dificilmente realizável. Não é assim que estruturamos a sociedade. Amor se captura, se domestica e se guarda em casa. Às vezes forçamos sua estada e quase sempre entregamos a ele os direitos autorais de nossa existência. Quando o perdemos, sofremos. Melhor nem pensar na possibilidade de que poderíamos sofrer menos.
(Martha Medeiros)

Amores Apertados


Sabe aqueles banheiros mínimos, que quando um entra o outro tem que sair? Tem amores que parecem um banheiro apertado: só cabe um.
Ela ama o cara. Interessa-se pela sua vida, seu trabalho, seus estudos, seu esporte, seus amigos, sua família, enfim, ela está inteira na dele. Ele, por sua vez, recebe isso de muito bom grado mas não retribui. Não pergunta pelo trabalho dela, pelas angústias dela, por nada que lhe diga respeito. Ela, obviamente, não gosta desta situação, mas vai levando, levando, levando, até que um belo dia sua paciência se esgota e ela tira o time de campo. Aí ele entra.
De repente, como num passe de mágica, ele se dá conta de como ela é legal, de como ele tem sido distante, de como vai ser duro ficar sem a sua menina. Então ele a torpedeia com e-mails e telefonemas carinhosos. Mas ela é gata escaldada, não vai entrar nessa de novo. Ele insiste. Quer vê-la, quer que ela entenda que ele é desse jeito tosco mesmo, mas que no fundo ela é a mulher da vida dele. Ela é gata escaldada mas não é de gelo: então tá, vamos tentar de novo. Ela entra com tudo.
Com a namorada resgatada, ele se isola novamente em seu próprio mundo, deixando-a conduzir tudo sozinha. É ela quem o procura, é ela que o elogia, é ela que arma os programas, é ela que lembra das datas, é ela, tudo ela, só ela. Quer saber: tô fora! Aí ele entra. Pô, gata, prometo, juro, ó: vou cobrir você de carinho. E não é que ele cumpre? Passa a tratá-la como uma deusa, superatencioso, parece outro homem. Ela aceita a deferência, mas não entra mais nesse jogo. Simplesmente não retribui o afeto dele, quase nunca telefona, sai com as amigas toda hora, e ele ali, no maior esforço. Ela esnobando, ele tentando, ela se fazendo, ele se declarando. Até que ele enche: tô fora. Aí ela entra. E ele esfria, e ela cai fora, e ele volta, e seguem neste entra-e-sai até o desgaste total. Bom mesmo é amor em que cabem os dois juntos. 

(Martha Medeiros)

Os perigos da paixão

Estava lendo o ótimo livro de crônicas da Hilda Hilst, Cascos e carícias, quando me deparei com estas duas frases: "Tens um inimigo? Deseje-lhe uma paixão". Não é uma incongruência. Ao contrário, é muito bem observado. O que nos dilacera? A própria.

Outro ótimo livro, Um grande garoto, de Nick Hornby, traz um parágrafo que explica esta fobia.

"Will nunca tivera vontade de se apaixonar. Quando isso acontecera com seus amigos, sempre lhe parecera uma experiência peculiarmente desagradável, com toda aquela perda de sono e de peso, a infelicidade quando a coisa não era correspondida, e a felicidade suspeita e amalucada quando a coisa funcionava. Eram pessoas que não conseguiam se controlar nem se proteger; pessoas que, ainda que apenas temporariamente, já não se satisfaziam em ocupar o próprio espaço; pessoas que já não podiam depender de uma jaqueta nova, uma trouxinha de maconha e uma reprise à tarde doa Arquivos Rockford para se sentirem plenas."

Nós não assistimos aos Arquivos Rockford (eu, ao menos, não faço idéia do que seja), mas podemos nos sentir plenos ao comprar uma camiseta, ao tomar um chope com a galera, ao sair de bicicleta no final da tarde ou saber que o Mark Knopfler vai tocar no Brasil. A trouxinha é facultativa. Então de repente você se apaixona, fica umas duas semanas em estado catatônico e ai surta de vez.

Será que ela gosta de mim tanto quanto eu dela? Será que o fato de ele preferir jogar bola com leões-de-chácara em vez de ir ao cinema comigo significa alguma coisa? Espero ele ligar? Ligo eu? Será que ela ainda pensa no ex? Será que eu beijo melhor? Ele está me esnobando? Estarei pegando no pé dela? Ele vai gostar da minha mãe? Ela irá rir da minha cueca?

Cruzes.

A paixão turbina o coração, acelera a corrente sangüínea e irriga os olhos, porque a gente chora à beça. Faz perder peso, sim. Não conheço dieta mais eficiente. A paixão cristaliza o tempo: parece que as horas não passam até estar com ele ou ela. Aí estamos com ele ou ela e as horas voam, não é justo. A paixão corrompe nosso juízo, trapaceia a realidade. Ainda assim, melhor uma paixão do que nenhuma. Reprises de seriados de tevê não me fazem desejar ficar bonita e sedutora, mesmo que depois eu borre toda a maquiagem me desaguando porque ele desmarcou o encontro cinco minutos antes da hora. Bem -vinda seja uma paixão comedida. Aos inimigos, as avassaladoras.

(Martha Medeiros)

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Feliz Aniversário para mim!

Às vezes, aniversário é como réveillon: a gente pensa que, como num passe de mágica, nossa vida vai mudar e tudo que é velho vai ficar pra trás e tudo chega com o “ano novo”. Talvez seja essa nossa necessidade de estipular um prazo para as coisas pensando, erroneamente, que nossa vida está sob nosso comando e que, quando quisermos, podemos mudar.
Algumas coisas, de fato, são passíveis de mudança.Outras não. Cheguei aos 33, com o coração de quem se apaixona pela primeira vez. Pensamos com a emoção deixando a racionalidade de lado e isso pode acontecer aos 15, 30 ou 45 anos. Quando o assunto é coração não adianta lutar e ser adulto, você vai sofrer e vai travar e vai esquecer palavras e se tornar criança, enviando mensagens de madrugada e acordando morrendo de vergonha, sem saber onde coloca o olhar.

Passou meu aniversário e nada mudou. Continuo com minhas inquietações, minhas ansiedades... Continuo perdendo a razão e com o coração batendo descompassado a cada ação – ou NÃO AÇÃO. Continuo sendo “uma mulher madura que às vezes anda de balanço. Uma criança insegura que às vezes usa salto alto, uma mulher que balança, ums criança que atura”...

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Palavras...

"Por te falar eu te assustarei e te perderei?
Mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia"... (Clarice Lispector)

E assim mais uma história chega ao fim sem nem ao menos começar.
Não sei silenciar nem quando é necessário.
Não sei utilizar meias verdades nem meias palavras.
Sou sim sim. Não não. E é só.
A dúvida me massacra. O não saber me perturba. O esperar me corrompe. 
Não sei guardar sentimentos, nem os bons e nem os maus.
Não sei guardar afeto.
Não sei fingir.
Não sei nada.

(Angélica)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Fé...

Sempre acreditei que Deus conhecia o mais profundo de nós e que era inútil pedir por acreditar que "a cada um será dado segundo suas obras ou merecimento (cf. Rm 2,6).

Me conformava com o que era dado e se, algumas vezes, dobrei meus joelhos era muito mais por agradecimento do que pedido.

Embora católica, subir o morro nunca foi expressão de devoção. Seguia andando da Mustardinha até Casa Amarela, subia cada degrau ainda na madrugada do dia 8 de dezembro e me encantava com a demonstração de amor das pessoas que estavam ali. Demonstração de fé. Aquelas pessoas subiam o morro de joelhos, com tijolos na mão e eu entendia que Deus não queria nada daquilo, mas que, pela sinceridade daqueles corações ele perdoava os excessos e aceitava as súplicas e gratidões. Nunca tratei de religião como "escambo", onde algo é dado em retribuição ao que é alcançado.
Anos depois, busquei na beleza da fé dos outros. E passei a ir para outras religiões. Na beira da praia, no dia 2 de fevereiro, sentia uma grande alegria por aquelas pessoas que estavam lá, demonstrando sua fé sem medo e sem (pre)conceito. Pessoas iguais a mim. Pessoas iguais a tantas outras, demonstrando gratidão àquela que acredita ser sua mãe.
De tanto admirar a fé dos outros, esqueci de cuidar da minha...e não percebi que, durante muito tempo, nada mais fazia sentido. E por mais que eu frequentasse todas as instituições religiosas, eu não consesguia sentir "a fé que é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem (Hb 11,1), simplesmente por aceitar o que é dado, sem esperas...sem desejos.

Nunca soube orar. Minha oração era uma conversa. Um "bate papo" com Deus. Eu acreditava que ele já sabia o que eu estava pensando, o que estava precisando e o que eu poderia, por ventura, pedir.

E foi assim que, em uma conversa recente, me vi obrigada a refletir sobre o que realmente era o Sagrado em mim e só assim percebi que há muito tempo me perdi.
(Angélica Souza)




"Os seus olhos me revelam tanta sede e não sou indiferente a sua dor
Mas tem coisas que não faço, não são minhas, dependem somente do seu querer
O milagre se dará por duas vias
Uma é minha e a outra deixo pra você
Se você trouxer a mim a sua água eu devolvo vinho

Chega mais perto, não tenha medo
Não diga nada, silêncio é palavra que não faz segredo
Se for preciso enxugo o seu rosto
Lágrimas são fragmentos de história que posso entender"
 (Pe. Fábio de Melo)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Amar alguém - Pe. Fábio de Melo

Na vida, a gente só sabe que ama alguém, a gente só tem o direito de dizer a alguém que a amamos depois de ter dito infinitas vezes a esse mesmo alguém a frase: eu perdoo você. Porque na verdade a gente só sabe que ama, depois de ter tido a necessidade de perdoar. 
Antes do perdão a gente pode ter admiração por alguém, mas admirar alguém ainda não é amar, porque admiração não nos leva a dar a vida pelo outro. Admiração é um sentimento, uma situação superficial, eu admiro aquela pessoa, mas eu sei que amo depois de ter olhado nos olhos, saber que errou, que não fez nada certo e ainda sim eu continuar dizendo que "eu não sei viver sem você", "apesar de ter errado tanto continuas sendo tão especial para mim". A gente sabe que ama as pessoas assim, depois de ter feito o exercício de olhar nos olhos no momento que ela não merece ser olhada e descobrir ainda ali uma chance, ainda não acabou. 
Coisa boa na vida é a gente encontrar gente que nos trate assim com esse nível de verdade, gente que nos conhece de verdade, que já foi capaz de conhecer todas as nossas qualidades, mas também todos os nossos defeitos, porque eu não sou só qualidades, eu tenho um monte de defeitos, e só me sinto amado no dia que o outro sabe dos meus defeitos e mesmo assim continua acreditando em mim, muitas vezes nosso amor não é assim, a gente ama o outro pelo que ele faz de certo ou de bom pra nós, e as vezes até elegemos o outro assim "ele é bom demais pra mim". E o dia que deixa de ser? Deixou de ser amigo? No dia que falhou, que errou, que esqueceu, no dia que não conseguiu acertar, continua tendo valor pra você? Ou você só ama aqueles que conseguem lhe fazer o bem? 

Jesus disse que não tinha mérito nenhum em amar aqueles que nos amam, que o mérito está em amar o outro mesmo quando ele não merece ser amado, eu sei que é um desafio, mas essa é tua religião.
Eu creio que não há descanso maior para o nosso coração do que encontrar alguém que nos ama assim, e eu gostaria que você levasse pra sua vida somente as pessoas que te amam assim, com essa capacidade de olhar nos teus olhos quando você não consegue fazer nada de certo, e mesmo assim continua sendo teu amigo e continua acreditando em você. 
Deixe entrar na sua vida, somente as pessoas que querem te fazer melhor, porque gente que nos diminui nós já estamos cheios. Amigos de verdade são aqueles que nos desafiam, são aqueles que nos momentos que estamos na lama, nos olham nos olham e dizem 'você não foi feito pra isso'. 
Amigo de verdade é aquele que olha nos olhos e nos coloca para sermos mais. Namorado de verdade é aquele que olha nos teus olhos e te respeita como mulher, que te acha linda, mas que te respeita como mulher porque sabe que tu és um coração que muito mais do que necessitado de ser abraçado e de ser tocado, é um coração que merece ser amado, e o amor vem antes do toque. 
Quem foi que disse que beijar na boca é declaração de amor? Pode até ser uma das demonstrações, mas eu tenho certeza que seu coração se sente muito mais amado no momento que você é olhado de um jeito certo, do que beijado de qualquer jeito! Antes de você entrar na vida de uma menina, olhe bem nos olhos dela e tente fazer com que ela descubra que você ama só olhando pra ela, olhe de um jeito que ela se sinta amada, e se você olhar do jeito certo, você não precisa ter ciúme, porque a mulher que for olhada de um jeito certo, nunca mais vai querer encontrar outro olhar. O homem que for olhado de um jeito certo, nunca mais vai querer outro olhar. 
Você ainda pode mudar o seu jeito de amar, você ainda pode mudar o seu jeito de viver, você ainda pode mudar o seu jeito de sorrir, você ainda pode perdoar aquele que você não quer perdoar, você ainda pode tratar bem aquele que você desprezou tanto, porque a vida ainda te dar a oportunidade de você se tornar muito melhor do que você é.

(Padre Fábio de Melo)

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Geração X


Sim, nasci na década de 80. Sinto falta de quando as pessoas passavam horas conversando pelo telefone - para não ser radical ao dizer pessoalmente. Hoje em dia há muita necessidade de ser "onipresente" e as pessoas preferem estar "conversando" com 150 pessoas ao mesmo tempo. Whatsapp, Skype, chat... E onde fica a delícia de ter alguém só pra você?... ‪

#MenosWhatsAppMaisOlhoNoOlho‬ ‪#‎MenosTecnologiaMaisAmor‬

terça-feira, 26 de agosto de 2014

A solidão acompanhada das redes sociais

E cada vez mais estamos sós. As redes sociais têm se tornado companhia. Saímos só. Viajamos só. Passeamos só. E, em nossa mente inocente, pensamos: Sou muito bem resolvida! Tenho a liberdade de sair sem precisar de ninguém. Ledo engano.
Não estamos mais só - ou estamos CADA VEZ MAIS SOLITÁRIOS!
Basta a internet ficar offline que todo a nossa autoconfiança vai por água abaixo. Como vou fazer uma "selfie"? Como vou publicar a minha felicidade? Como vou mostrar as pessoas que estou bem? 
E aí bate o desespero. A solidão sentida, que só percebemos quando, verdadeiramente, deitamos a cabeça no travesseiro - desde que não durma com o smartphone - e estamos só nós e o pensamento.
Algumas vezes nem é por exibicionismo. Fazemos 189373676145632 selfie, onde não dá pra ver quase nada, além do nosso próprio rosto e, nem esperamos que todas os 35423  seguidores curtam. Lá no fundo, desejamos que uma pessoa só curta...tem que ser AQUELA pessoa. Daí já ganhamos o dia. Já ficamos felizes. E, muitas vezes, o ato de curtir é até involuntário, sem significado, vazio.
Nossa mente que transforma tudo em sinal. Nos iludimos. Gostamos da ilusão. Gostamos de fazer de conta que somos amados, desejados, queridos. E como ser querido sem as redes sociais? 
Impossível.
No mundo da fantasia virtual somos tudo o que sempre quisemos ser. Até feliz!
No mundo real, choramos, brigamos, ficamos feios e andamos por aí, sem rumo, sem destino, sem ninguém... Ficamos tristes. Mas tristeza não é atrativo. Então pra quê publicar? 
Escondemos nossas dores. 
Exibimos nossa ilusão. 
Oh, solitária vida... 
A gente não quer um turbilhão de "likes". No fundo só desejamos um que faça nossa vida offline valer a pena.
(Angélica Souza)

Amor: Processo de Continuidade - Pe. Fábio de Melo

Sempre que escutamos a Palavra do Senhor, por aquilo que Deus é, podemos ter um pouco de dificuldade, mas a Palavra do Senhor tem força. A palavra do outro pode passar pela falsidade, mas a Palavra de Deus não, pois é o Caminho. É como ir a um lugar sem ter um caminho a seguir, caso contrário, nos perderemos.

Se quiser ser de Deus, terá que viver as duas vias do Senhor: ‘Amarás ao Senhor teu Deus e ao próximo como a ti mesmo’.
O que você entende por esta palavra 'amor'?

É impressionante o quanto o amor de Deus nos toca. Os poetas sempre tentaram decifrar o amor, mas nunca conseguiram. Assim como Luiz de Camões em seu poema: ‘O amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer’. O amor não se poetiza. Quantas vezes sentimos o amor e não sabemos onde realmente dói? O amor é revelação, inauguração, tem o poder de ser novo com aquilo que estava velho.

Jesus sabe da capacidade de olhar as coisas miúdas da vida, as que não damos valor, e aquelas que ninguém havia visto antes. Colocando os pés no seguimento de Cristo, ouvimos a Palavra para olhar a vida diferente: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’. E o que significa amar o meu próximo? O que significa olhar para o meu irmão e saber que nele tem uma sacralidade que não posso violar? Como posso descobrir este convite de Deus de abrir os olhos às pessoas? No dia de hoje, lhe proponho que acabe com os 'achismos' do amor. Por muitas vezes, em nome do amor, nós fazemos absurdos: seqüestramos, matamos, fazemos guerra, criamos divisões. A primeira coisa que Deus precisa curar é o que nós achamos do amor.

O amor nos dá uma força que nem nós mesmos sabíamos que tínhamos. É a capacidade que o amor tem de nos costurar. Quantas vezes olhamos para a objetividade do outro que nos motiva a sermos melhores. É o amor com suas clarezas e suas confusões.

Hoje tem um jeito comum de trazer o que você tem de mais precário em sua vida e dar ao outro. Muitas vezes em nome do amor tratamos as pessoas como ‘coisas’.

Quando Deus entra em nossa vida e entramos na vida de outras pessoas, temos que entrar como Deus, agregando valores. Caso contrário é melhor que eu fique de fora, porque você é um território que merece respeito.

Essa Palavra de Deus é comprometedora. É fazer as pessoas amarem a Jesus pelo seu testemunho, a partir do momento em que você permite transmiti-lo, nesta realidade do dia-a-dia, ao acordar e dormir.

Na passagem da sarça ardente (Ex 3,2ss ) Deus se manifesta em uma árvore que pega fogo mas não é consumida. Esse é o amor de Deus: Quanto mais nós amamos, mais somos consumimos, e se estamos esgotados é porque amamos ‘de menos’. Vamos ficando sem o vigor, mas a sarça queima sem se consumir. O fogo do amor não queima, pois é um fogo que faz outro fogo, e a experiência do amor de Deus é feita pelo amor de um para o outro. Amar o outro é levar prejuízo. Quantas vezes você passou noites inteiras acordadas pelo seu filho? Quanto sono perdido? Isso é por amor.

'Você precisa redescobrir a graça de se amar'
Foto: Willieny Isaías

Você vai saber o que é amor quando você se consome, mas não se esgota. Você nunca vai dizer que está cansado de amar o seu filho. Você está cansada dos problemas causados pelo filho, mas não de amá-lo.

Quantas pessoas que procuram e estão necessitadas do amor, mas em sua busca correndo atrás das micaretas e baladas? A busca do amor está aguçada. Está todo mundo querendo saber o que é o amor, e todos precisando de cura. Quantas pessoas foram amadas erroneamente, trazendo as marcas de um amor estragado.

Quando alguém nos ama com um amor estragado, só se percebe em longo prazo. Como comer uma comida podre que vai dar um problema sério no futuro. Aquele desaforo, aquela traição, aquela mentira e o que você fez com tudo aquilo? Como aquilo repercutiu em você? Aquela experiência ruim que sofreu, onde está?

Quando digo que amo a Deus, estou dizendo no avesso desta frase que amo a mim também. Nenhuma pessoa pode amar a Deus se não se ama. Nenhuma pessoa pode ter uma experiência com Deus se não for pelo amor a si próprio, pelo respeito por si mesmo. O amor a Deus passa o tempo todo pelo cuidado que eu tenho com a minha vida, com a minha história.

Deus nos quer cuidados. Você precisa redescobrir a graça de se amar. Quanto você se ama? O que você ainda espera de você mesmo? Como você ainda se cuida? O quanto você ama a Deus? O que você faz por Ele? Quanto do seu tempo dedica a Ele? As mesmas respostas das primeiras perguntas valem para as segundas. O tempo em que você se dedica a Deus, dedica a você mesmo; pois a obra que Ele quer restaurada é você.

‘Se quiser entrar em minha vida retira as sandálias, pois esse solo é santo’. O amor que tenho a meu Deus é um amor a mim mesmo. Deus quer ser glorificado através de mim. Não haverá a possibilidade de sermos santos se não retirarmos de nós as 'podridões'. Tenha coragem de tirar as histórias do passado que doem e que você as carrega até o dia de hoje.

O alvo deste acampamento, não é o amor que você tem a Deus, mas é o amor que você tem a você mesmo, que é determinante para saber a sacralidade do outro. A gênese da nossa capacidade de amar o outro, está na incapacidade de não me amar. A conversão é um movimento contrário, para amar a si mesmo. É impossível uma pessoa que se ama se drogar, ou deixar uma outra pessoa jogar para dentro de si uma substância letal. Como sou capaz de amar o próximo como a mim mesmo, se ainda não me amo?

Faça caridade a você primeiro. Os seus amigos irão agradecer por você se amar. Quando o amor nos atinge, seremos mais felizes. Vamos experimentar da graça e dar a graça ao outro também. Um povo que se ama é um povo que sabe aonde vai. O amor a Deus e ao próximo é um amor a si mesmo. Eu ainda acredito no que Deus pode em mim. Volte a gostar de você!

Transcrição: Eliziane Alves

domingo, 17 de agosto de 2014

Homilia de d. Fernando Saburido durante celebração de corpo presente de Eduardo Campos

Liturgia da Assunção de Nossa Senhora
Palácio do Campo das Princesas, 18 de agosto de 2014, 10 horas.

“Como em Adão todos morrem,
assim também em Cristo todos reviverão” (1Cor 15,22).
Este é o quinto dia desde a triste e tão dolorosa notícia da tragédia que vitimou sete irmãos nossos, pelos quais celebramos esta Santa Missa: os pilotos Geraldo Magela Barbosa da Cunha e Marcos Martins; Pedro Almeida Valadares Neto; Alexandre Severo Gomes e Silva, Carlos Augusto Ramos Leal Filho (Percol), Marcelo de Oliveira Lyra e Eduardo Henrique Accioly Campos, pessoas que contamos entre nossos queridos familiares e amigos. Entretanto, este dia não é um dia qualquer. Hoje é Domingo, dia do Senhor, quando celebramos a Páscoa Semanal daquele que morreu dando a sua vida, oferecendo-a pela salvação do seu povo. Precisamente hoje, a liturgia da Igreja comemora a Assunção de Nossa Senhora ao céu. Diante dos corpos de três das sete vítimas do terrível acidente, é como se estivéssemos diante daquele mesmo calvário que a própria Maria viveu. Não pensemos que foi fácil o itinerário da sua vida. Foi escolhida por Deus para uma sublime missão: apesar de preservada de todo pecado, teve sua fé provada a todo instante, desde quando acolheu o anúncio de que seria a mãe do Filho de Deus. Enfrentando as dificuldades da vida, com a graça de Deus, teve forças para enxugar as lágrimas e confiar que a injustiça e a impunidade jamais teriam a última palavra.

Por ter confiado no Senhor e ter sido fiel aos desígnios de Deus, mereceu ter um nome bendito e lembrado de geração em geração, como ela própria afirmou. Mais que isso, mereceu ter a mesma vitória que seu Filho. A solenidade de hoje recorda precisamente isto: por ela ter pertencido totalmente a Deus e ter se entregado sem reserva à vontade de Deus, ela foi a primeira associada à sorte de Jesus, como disse o apóstolo Paulo, na segunda leitura: como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão; porém, cada qual segundo uma ordem determinada: em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo. Ninguém como a própria mãe pertenceu tanto a Jesus. Entretanto, a vitória da ressurreição de Jesus não para por aí, pois está chegando até aos nossos dias. Quando o Papa Pio XII proclamou, em 1950, o dogma da Assunção de Maria, ele não estava criando nenhuma verdade nova; estava proclamando que é verdadeira a fé que desde o início do cristianismo espalhou-se entre os discípulos de Jesus: Maria foi elevada ao céu em corpo e alma; não poderia ter o corpo corrompido alguém que deu à luz o Salvador do Mundo.

Como isto é algo que parece tão incompreensível para muitas pessoas, não só podemos como temos até que perguntar de que maneira tudo isto aconteceu. Na primeira leitura, escutamos referência à Arca da Aliança, que era aquele baú sagrado no qual estavam guardados os mandamentos que o Senhor havia dado a Moisés. Se era tão sagrada essa arca, muito mais sagrada é a arca definitiva, na qual se fez carne a Palavra de Deus. Maria é a nova e definitiva Arca da Aliança, onde Deus mesmo quis colocar a semente da salvação. E tudo isso foi possível porque Maria acreditou, não duvidou e deu credibilidade à Palavra de Deus. Como escutamos no Evangelho, há pouco proclamado, a própria Isabel disse que será cumprido na vida de quem acredita o que o Senhor prometeu. Por isso, a Virgem Maria é bendita entre as mulheres e, assim como Cristo, já tem realizada a glorificação que nós ainda estamos aguardando e pela qual trabalhamos.

E o mais bonito, meus irmãos e irmãs, é que todos os que creem em Jesus reviverão, não somente depois da morte, mas desde o instante em que acreditamos na sua Palavra. Às vezes, a Palavra de Deus parece improvável e acreditar nela parece desvantagem diante das muitas vantagens do dinheiro e do poder. Todas as pessoas que acreditam na Palavra de Deus permanecerão lembradas para sempre e seus nomes continuarão como estrelas, indicando o caminho para os que buscam um novo horizonte.

Quem é Maria? É alguém do povo de Deus, que esperava, como toda a sua gente, a vinda do Messias, daquele que traria dias melhores. E o Messias chegou! O Messias, porém, não se fez grande, mas pequeno; é o que serve sem ser servido; que veio para dar vida e vida em abundância a todos, mesmo que isso significasse perder a própria vida. Esta era a sua missão, mas, além disso, era a convicção mais profunda de sua mãe. Ela sabia que Deus demonstra o poder de seu braço: dispersa os orgulhosos, derruba os opressores, eleva os humildes, sacia os famintos e destrói toda riqueza injustamente adquirida. Queremos que a fé da Virgem Maria seja um estímulo para a nossa fé, que vacila em tantos momentos.

Nesta hora, por exemplo, é como se estivéssemos diante de um outro calvário. Estamos ouvindo o clamor de tristeza de esposas e filhos, pais e irmãos, familiares e amigos, enfim, de todo o povo de Pernambuco e do Brasil. Perguntemos à Virgem Maria como é que ela foi capaz de permanecer de pé junto à cruz de seu Filho!? Deus lhe deu forças, mas também lhe deu força a convicção que levou seu Filho a amar-nos até o fim. O calvário não é o fim do percurso da vida de Jesus, nem de seus discípulos. As trevas caem sobre nós, a cortina da angústia encerra nosso coração, mas não podemos desistir. A Virgem Maria está de pé junto à cruz e nós devemos, igualmente, permaneceremos de pé. Fiquemos atentos ao que tem a nos dizer aquele que está crucificado.

O que estes nossos irmãos falecidos têm a nos dizer? Diante de seus corpos inertes, destruídos pela fatalidade, ouve-se um silêncio que incomoda. Aqui estamos porque, no eco de suas convicções, escutamos a mesma sede que o Filho de Maria teve: fome e sede de justiça. Maria foi uma mulher forte que alimentou a coragem de seu Filho para que ele não desistisse. A força do calvário não é a força de um poder que mata inocentes, mas a força do amor que dá a vida, que se preocupa com os pecadores e está atento aos humildes, aos injustiçados, aos pobres. Naquele calvário, há um justo crucificado, que teve sua voz abafada por quem lucrava com a corrupção e a miséria dos outros. A voz de Jesus está hoje espalhada pelo mundo inteiro: é a voz dos profetas dos tempos atuais que querem um mundo melhor e lutam contra o pecado, que gera desigualdade social, é fonte de guerras e conflitos, alimenta discriminações e preconceitos.

Apesar de ser um cenário de tristeza aquele do calvário, há uma alegria que a dor não abafa: está morto um homem que tem suas convicções vivas e que não teve a fraqueza de vender sua consciência; ele discordou de tudo o que não estava conforme a vontade do Pai e ousou questionar. Ensina-nos até hoje a fazer o mesmo, seguindo seu exemplo. Ele revoluciona nossos corações: amar a Deus sobre todas as coisas, amar nossos semelhantes como irmãos e irmãs, ter como nossas as suas causas. Cristo ressuscitou e, na nossa luta, onde dois ou mais estão reunidos em seu nome, ele continua presente, interpelando-nos.
Estes nossos irmãos, cujos corpos serão plantados na terra como sementes de esperança, vivem. Não vivem somente na nossa lembrança, que tem dificuldade de acreditar que morreram, mas vivem porque estão em Deus, na vida definitiva. Pelo mistério da fé, estarão para sempre conosco e, aguardando o dia da glorificação definitiva. Continuam nos inspirando a não desistir da mesma luta que só trará o bem a nós e ao nosso povo. Quem acredita nas causas de Jesus e vive lutando pelas mesmas convicções que levaram o Filho de Deus à morte, experimentará a vitória de sua ressurreição.

Esta é a esperança que nos mantém firmes para um adeus tão doloroso. No instante do acidente, todos aqueles que foram vitimados com nosso prezado Eduardo Campos estavam unidos em torno dele, como irmãos e amigos. Compartilharam com ele os mesmos ideais e participaram da mesma morte. Tão grande era a amizade que os unia, que suas famílias, igualmente enlutadas, estão aqui ao lado de sua esposa Renata Campos e seus filhos. Nós também sentimo-nos de luto, não somente porque Pernambuco e o Brasil perderam um grande líder, alguém realmente vocacionado para a política, mas porque sentíamos nele, acima do gestor que foi, um ser humano apaixonado pelo povo, especialmente os mais empobrecidos; um católico de convicção que fazia questão de transmitir para os filhos seus princípios de fé. Isso o aproximou muito de cada um de nós, mesmo daqueles que nunca o viram de perto, mas que admiravam seu jeito de valorizar a família como célula primeira e indispensável de todo fundamento social. Nesses últimos dias, nas redes sociais, foram veiculadas muitas imagens de Eduardo e nenhuma delas emocionou mais que as que o apresentavam no aconchego do lar, em companhia da esposa e filhos. Por ocasião do dia dos pais, seus filhos postaram um vídeo emocionante. Naquele mesmo dia, que foi também o dia do seu aniversário de 49 anos, estive com ele, pela última vez, na Missa de encerramento da festa de São Lourenço Mártir, em São Lourenço da Mata.

Nós temos família e sabemos o quanto é importante uma família feliz. Ontem, por coincidência, foi o encerramento da Semana Nacional da Família, cujo tema para reflexão neste ano de 2014 foi A espiritualidade cristã na família: um casamento que dá certo. Ou seja, tudo a ver com a família que Eduardo e Renata procuraram constituir e que viveram na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, e que agora continua tão firme e estável como antes, na saudade e no amor que não morre.

No dia em que celebramos a Solenidade de Nossa Senhora da Glória, peçamos à nossa mãe Maria que acolha sob o seu manto de amor e misericórdia estes nossos irmãos que partiram e os apresente ao Senhor que disse para Marta a irmã de Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra viverá. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre. Você acredita nisso?” (Jo.11,25-26).

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A fragilidade da vida

E a vida segue nos mostrando o quão frágil é. E o que seria uma quarta-feira comum, torna-se uma ingrata. Uma quarta que ninguém esperava. Uma notícia que ninguém imaginava. O factual. A dor. E a morte que sempre chega e nos impacta. Nos deixa inerte. Atônicos. O que nos move ainda é ela. A fé. A fé que é "o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" (cf. Hb 11) e que traz uma esperança de que existe um motivo para tudo que acontece... E que num pós-morte, existe vida, seja a "Eterna" ou "a imortalidade do espírito", mas que nos fortalece para continuar. Pessoas que seguem por outro caminho que nos assusta por que desconhecemos. Situações que nos tememos. Nesses momentos, se não sofremos a dor de quem parte por não ser parte de nós, resta-nos a dor de saber que em um momento como esse há tantas famílias sofrendo com a morte corpórea daqueles que se foram. Nos tornamos filhos, irmãos, amigos... Nós sentimos frágeis como frágil também é nossa vida. (Angélica Souza)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A Arte de Ser Encontrado

Você já pode perceber o quanto uma pessoa, na hora da necessidade, se torna fácil? E tem pessoas que têm o dom de nos seduzir.

Este Evangelho que eu vou ler aconteceu no mesmo horário em que estamos agora – ao meio dia. E agora vamos ter a oportunidade de vivenciar, porque esta palavra se concretiza, hoje, na nossa vida. (São João 4).


Essa mulher foi encontrada talvez no momento em que o corpo mais precisa de um cuidado, porque o meio-dia serve para nos separar daquilo que fizemos na manhã e o que vamos fazer à tarde.

Esta manhã é simbolizada naquele que está cansado do que já viveu e o perigo de fazer da tarde uma repetição daquilo que vivemos no nosso passado.

Estou correndo um risco de passar o resto da minha vida sem ser desejado, e o mesmo eu faço com os outros. Uma vida pronta para ser condenada, pois ela tinha tudo para uma condenação escatológica, mas não é desta que estou falando, mas da histórica: "fiz da minha vida um desastre, cometi tantos erros, que eu me tornei um erro nesta vida".

A manhã foi toda errada – ela não alcançou seus objetivos. Então entra aquele por quem eu me apaixonei um dia: Jesus.

É Deus que pede um favor para uma mulher que viveu uma manhã sem esperança.
Ela está se recordando da manhã, se reconhecendo não merecedora, totalmente tomando posse da derrota. Só um olhar como de Jesus para nos fazer esquecer tudo aquilo que não deu certo.

Às vezes, tão machucados pela vida, encontramos pessoas que nos fazem esquecer a nossa amargura. Jesus olhou para aquela mulher não para condená-la, mas para uma profunda cura interior.

Profeta não é aquele nos aponta um futuro glorioso, mas que nos aponta para aquilo que precisamos renunciar, para depois assumir o futuro glorioso. E o que aquela mulher precisava fazer era só ter a capacidade de dizer: "Eu sou isso". Diante de Deus, mascaras não funcionam.

Enquanto nós fingirmos para nós mesmos, nós não iremos a lugar algum; enquanto não reconhecermos as nossas necessidades, as nossas lutas, os nossos males, enquanto não dermos nomes aos nossos inimigos e olhar nos olhos deles, ele serão maiores do que nós; enquanto a gente temer os malefícios da manhã, nós não seremos capazes de entrar na tarde com as cores de ressurreição.

Quanto mais você conhece a Deus, mais você se torna exigente. É impossível amar o outro se antes o amor de Jesus não estiver amando em nós, não estiver nos devolvendo o tempo todo a nós mesmos. Quando a gente se ama o que na verdade estamos fazendo não é trazendo o outro para nós – isto é equivoco, isso é manhã que não deu certo. Amor de ressuscitados, amor de homens e mulheres que acreditam em Deus, não é amor que retém, é amor que devolve ele a ele mesmo.

Amor humano é devolução, é restituição. E aquele que aceita qualquer coisa, também será deixado por qualquer coisa.

Jesus é a Palavra. Aqui entra o poder redentor de Deus através do seu Filho Jesus. E o poder do olhar que restitui, faz com que aquela mulher possa descobrir as forças que antes ela não sabia que tinha e assumir que a vida não tinha dado certo.

Quantos de nós temos que passar pelo duro aprendizado de dizer "não deu certo". Por orgulho a gente mente para o outro. Jesus deu a força para aquela mulher de reconhecer: “Eu não nasci para viver essa condição de miserável eternamente”.

Eu preciso reconhecer que quem me leva para frente é o amor de Deus. Essa é a coragem de olhar para mim e reconhecer: "Não deu certo, mas ainda pode dar". Como eu disse, Deus não facilita as coisas, porque se Ele facilita Ele tira a sua parte, que só você pode realizar.

Sempre que eu ouvia esta música, a imagem que me vinha era da minha mãe, e eu fiz um esforço para não mostrar como eu estava frágil. Como é bom encontrar com olhos que nos reinaugura. Na vida de um cristão a vida está sempre recomeçando.

Na sua vida você faz a experiência de encontrar e de ser encontrado. Tantas vezes você esbarra naquele irmão que você já não vê há trinta anos, e que você já não sente mais nada. Quantas relações humanas estão falidas porque as pessoas não conseguem mais reinaugurar um ao outro.

Irmãos que há tanto tempo não se encontram, porque não têm a coragem de contar a sede que têm e o outro não sabe que você está sedento.

O mundo começa na palavra que a gente diz. Faça a experiência do silêncio e o mundo começará a partir da palavra que você vai dizer daqui a pouco.

Sempre tem um "espírito de porco" para nos lembrar o que a gente fez de errado ou daquilo que a gente não fez. E quantas vezes nós somos desumanos. Às vezes, somos especialistas em colocar os olhos somente naquilo que não deu certo em nós. Gente que assume a postura de acusador.

Muitas vezes, a pessoa está fazendo tudo errado, mas o que você não pode esquecer é que o diabo não tem o direito de dizer que você é errado, porque ele só sabe mentir. Por que você é pessoa certa, só que está no lugar errado; pessoas certas vivendo na vida errada. É igual a um diamante que está sujo de barro, mas não deixa de ser diamante.

Sabe o que mais me fascinava no padre Léo? A capacidade do padre de não olhar a prostituta, mas de ver a mulher.

Comece pelos pequenos gestos, nem que seja lavando um copinho sujo de café.
Eu o desafio agora a estar sentado à beira do poço. Eu sei que você tem realidades muito concretas, nas quais você pode dizer: "Eu não fui fiel, eu não fui irmão e fui pelo caminho da prostituição. Eu corri atrás do retrocesso, ao invés de correr atrás do poço de água limpa, para por atenção na manhã que não deu certo. Confiei em estranho, ao invés de confiar naqueles que me colocaram no mundo. Permiti que muitos me jogassem no barro da indiferença, e me esqueci de quem eu era".

Ao invés de um rosto marcado pela revolta, no rosto de Jesus você encontra amor. Você pode correr para Jesus, pois a sua manhã só pode ser esquecida se você fixar o seu olhar neste rosto, neste olhar que pode te reinaugurar e tirar a placa que te dizia "falido".

Hoje, receba a placa que diz: reinaugurado por Jesus.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Adolescente aos 30 e poucos anos


E essa caixinha de surpresa chamada vida nos surpreende a cada instante.
De repente me vejo encantada novamente. Um moço aí chegou de mansinho e tem ocupado meus dias e enchido minhas tardes de sorrisos. É tudo muito dúbio. Muito confuso. Ele, com suas caras e bocas - e uma beleza que nunca vi - está fazendo meus olhinhos brilhares.
Doidice, né? Tô mesmo sendo adolescente aos 30 e poucos anos. Estive tão estática, tão inerte por tantos anos que agora resolvi recomeçar de onde parei. E me apaixono todo dia.
Se isso é bom? Não sei. Mas enquanto isso vou vivendo...e sorrindo...e me alegrando com pequenos gestos... e me divertindo... e fazendo maquiagem todo dia... e sendo eu mesma de novo.
(Angélica Souza)

sábado, 26 de julho de 2014

Quatro Crianças


Estou sozinha, acompanhada de meus pensamentos - e minha água de coco - quando dois se aproximam. "Moça, a senhora olha nossas coisas enquanto a gente toma banho?". Concordei. Em seguida, mais dois garotos. Com o mesmo pedido. Então, eles deixam seu "material de trabalho" e se jogam no mar. Os quatro permanecem no mar por um tempo. Não se conhecem. Os observo brincar com as ondas. "Pegar jacaré". Os dois últimos voltam. Pegam suas tábuas de amendoim. "Qual tua idade, menino!?" Dez. Responde. Sim, uma criança. Uma criança que anda a praia vendendo amendoim no sol fervente de Recife. Conta que mora em Três Carneiros. Me oferece um amendoim e segue... Na luta, na busca do pão de casa dia. Pouco depois os outros dois também chegam para pegar suas coisas. Duas pipas. Perguntam a hora. Ainda têm tempo. Brincam um pouco mais. Empinam suas pipas. Se jogam no mar. Idade? Onze anos. Também criança. Quatro meninos com destinos diferentes. Uns sendo crianças. Outros ... Sendo gente grande com tão pouca idade. Quatro crianças que se deixaram ser crianças no mar... Ou no ar. (Angélica Souza)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Amar é perdoar!

Na vida a gente só sabe se ama alguém, só tem o direito de dizer a alguém “eu amo você”, depois de ter dito infinitas vezes a este mesmo alguém a frase: “eu perdôo você”, porque na verdade a gente só sabe que ama depois de ter tido a necessidade de perdoar.

Antes do perdão a gente pode até ter admiração por alguém, mas admirar alguém ainda não é amar, porque admiração não nos leva a dar a vida pelo outro, não! Admiração é um sentimento, uma situação superficial, quase que externa, “eu admiro aquela pessoa”.
Mas eu sei que amo depois de ter olhado nos olhos, saber que errou, que não fez nada certo e mesmo assim eu continuo dizendo: “eu não sei viver sem você! Apesar de ter errado tanto, continua a ser especial pra mim!”.

A gente sabe que ama as pessoas depois de ter feito um exercício de olhar nos olhos no momento em que ela não merece ser olhada e descobrir ali ainda uma chance que ainda não acabou.
Coisa boa na vida é a gente encontrar pessoas que nos trate assim, com esse nível de verdade. A gente já nos conhece de verdade, já foi capaz de conhecer todas as nossas qualidades, também todos os nossos defeitos, porque eu não sou só qualidades, também tenho defeitos e eu só me sinto amado no dia em que o outro saber todos os meus defeitos e mesmo assim continuar acreditando em mim. Muitas vezes o nosso amor humano não é assim. A gente ama o outro por aquilo que ele faz de certo e de bom para nós! Não é assim?
E às vezes até elegemos os nossos amigos assim, ele é bom demais pra mim e no dia em que deixar de ser, deixou de ser amigo. E no dia que falhou, no dia em que errou, no dia em que esqueceu, no dia em que não conseguiu acertar, continua tendo valor pra você ou você só amou aquele que consegue lhe fazer o bem?
Jesus disse que não tinha mérito nenhum em amar aquele que nos amam, que o mérito esta em amar o outro mesmo quando ele não merece ser amado. Eu sei que é um desafio mas essa é a tua religião, é isso que nós acreditamos, é isso que nós bebemos no carvalho. Eu creio que não há descanso maior para o nosso coração do que encontrar alguém que nos ama. Assim é que eu gostaria que você levasse para sua vida somente as pessoas que te amam assim, com essa capacidade de olhar nos teus olhos mesmo quando você não consegue fazer nada certo e mesmo assim, continua sendo o teu amigo e continua acreditando em você.
Deixe entrar na sua vida apenas as pessoas que quiserem te fazer melhor, porque gente que nos diminui nós já estamos cheios, amigos de verdade são aqueles que nos desafiam, são aqueles que no momento em que estamos na lama nos olha nos olhos e nos diz: “você não foi feito para isso!”. Amigo de verdade é aquele que olha nos teus olhos e te respeita e nos coloca para sermos mais. Namorado ou namorada de verdade é aquele que te respeita como homem ou mulher, porque sabe que tu és um coração, que é muito mais necessitado de ser amado, abraçado, do que ser tocado. E o amor vem antes do toque. E quem disse que beijar na boca é declaração de amor? Pode até ser uma das demonstrações, mas eu tenho certeza que o seu coração se sente muito mais amado no momento em que você é olhado de um jeito certo, do que beijado de qualquer jeito. Não são poucas às vezes que você beija, beija, beija... Abraça, abraça, abraça... Transa, transa, transa, e mesmo assim continua sozinho, porque um homem deitado do lado da cama não é garantia de companhia, nem uma mulher na cama pode ser garantia de que estamos acompanhados.
Há sofrimento e muito profundo nos corações que se banalizam. Há muito sofrimento nos corações que se prostituem. Por quê? Porque sentem a sensação de que estão sendo utilizados, de que viraram uma praça pública onde os outros passam e jogam seu lixo. Por isso que eu digo, não é que nós temos um discurso moralista, não sou eu que gostaria que você um dia estivesse de mãos vazias.
Por isso que antes de entrar na vida de alguém, olhe bem nos olhos dela e tente fazer com que ela descubra que você a ama só olhando para ela. Olhe de um jeito que ela se sinta amada, e se você olhar do jeito certo, você não precisa ter ciúme porque a mulher que for olhada de um jeito certo nunca mais vai querer um outro olhar.
É o momento de segurar as mãos e lhes dizer, eu estou aqui do seu lado e quero ser para você aquilo que te falta, quero ser um amigo no momento em que precisares de um amigo, quero ser um irmão no momento em que precisares de um irmão e até mesmo um pai, uma mãe, no momento que, por ventura, precisares de um pai e de uma mãe e os teus não puderem corresponder esse papel.
Casamentos muitos não dão certo sabe por quê? Porque às vezes na vida, as pessoas vão embora aos poucos. Ta ali do lado, todo dia, mas já foi embora há muito tempo. Começa a ir embora o amante, o primeiro que vai embora geralmente, depois vai embora o amigo, e quando vai embora o amigo já não existe mais o casamento, já não existe mais companheirismo, já não existe mais amizade, já não existe mais respeito, e todos nós gostaríamos de lares que durassem, todos nós gostaríamos de ter pais que se amassem, que se respeitassem, que permanecessem do nosso lado, que segurassem as nossas mãos no momento em que nós tivéssemos a sensação de que elas estão vazias.
Isso pra mim é Deus. Aquela mão que nos sustenta no momento em que nós achamos que não temos ninguém por nós. Pra mim esse é o coração de Jesus, um coração que me olha quando tudo deu errado, que me ama quando eu não mereço ser amado, que me olha e diz:
“Eu continuo acreditando em você e não desisti de você!”

Padre Fábio de melo, scj

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Feliz aniversário àquele que me faz feliz!


E já passaram quase 30 minutos que tento escrever... Logo eu que prefiro as palavras escritas do que as palavras faladas...travei. Travei por ter tanto a dizer... E tão pouco a falar. A gente diz o que sente com os olhos. Sente o que diz com o coração. Hoje é aniversário dele. Mas como parabenizar aquele que foi meu maior presente!? Esse ano foi de perdas - ou de descobertas. Descobri um sentimento lindo. E isso me custou alguns maus sentimentos. Nano, to enrolando. Buscando palavras onde não há. Porque sentir é mais do que falar. E no teu aniversário eu só tenho a agradecer a Deus pela tua vida. Pelo teu sorriso. Pela tua sinceridade. Pela sua amizade. Pela sua confiança. Pela tua companhia. Pela tua compreensão. Te admiro! E é da admiração que nascem os sentimentos mais verdadeiros. Admiro teu jeito de ver a vida. Isso me cativou. A leveza da tua forma de viver. Feliz aniversário! Feliz dia! Feliz vida! Que Deus continue sendo o absoluto nos teus dias. Que Ele esteja presente sempre, te guiando, te iluminando... Paz e Bem!

domingo, 20 de julho de 2014

Aos amigos de ontem...hoje e sempre!

Quando olho ao meu redor e vejo que não estou sozinha, percebo o quanto os amigos são anjos enviados de Deus. E a amizade, enquanto amor que nunca morre, pode ser bem traduzido pela definição de Paulo de Tarso "O amor é paciente, é bondoso"...Todos os anos, tem uma pessoinha nova no meu mural... Esse ano, tem algumas pessoas a menos... E assim a vida segue. Novos amigos chegam... Velhos amigos que permanecem... Alguns pseudo-amigos que se foram... É o ciclo natural da vida. Esta é a minha forma de agradecer a todos por me enxergar devagar em um mundo onde todos estão seguindo rápido demais. Que este seja um dia de agradecimento a Deus pelos anjos que ele colocou em nossas vidas:

"Uma das coisas que eu acho fascinante em Jesus, é a capacidade que ele tinha de encontrar no meio da multidão, pessoas. Ele era capaz de reconhecer em cima de uma árvore um homem, e descobrir nele um amigo.

Bonito uma amizade que nasce a partir da precaridade, quando você chega desprevenido, o outro viu o que
você tem de pior, e mesmo assim, ele se apaixonou por você.

Amor concreto, cotidiano, diário. Jesus se apaixonava assim pelas pessoas e as tornava suas amigas.
As trazia para perto Dele.

É fascinante olhar para a capacidade que esse homem, que esse Deus tem, de investigar a
miséria do outro e encontrar a pedra preciosa que está escondida.
Isso é Páscoa, isso é ressureição. É quando no sepulcro do nosso coração alguém descobre um fio de vida, e ao puxar esse fio, vai fazendo com que a gente se torne melhor.

Não há nada mais bonito do que você ser achado quando está perdido. Não há nada mais bonito do que você ser encontrado, no momento que você não sabe para onde ir e não sabe nem onde está...
O amor humano tem a capacidade de ser o amor de Deus na nossa vida por causa disso: porque ele nos elege. Por isso que é bom termos amigos, porque na verdade, as pessoas amigas antecipam no tempo, aquilo que acreditamos ser eterno...

Quando elas são capazes de olhar para nós e descobrir o que temos de bonito.
Mesmo que isso, às vezes costuma ficar escondido por trás daquilo que é precário.
Por isso agradeço muito a Deus pelos amigos que tenho. Pelas pessoas que descobriram no que eu
tenho de pior, uma coisinha que eu tenho de bom, e mesmo assim continuam ao meu lado, me ajudando a ser gente, me ajudando a ser mais de Deus, me ajudando a buscar dentro de mim, a essência boa que acreditamos que Deus colocou em cada um de nós.

Ter amigos, é como "Arvorear", lançar galhos, lançar raízes... para que o outro quando olhar a árvore, saiba que nós estamos ali...Que nós permanecemos para fazer sombra, para trazer ao outro, um pouco de aconchego que às vezes ele precisa na vida!.. Arvoreie, crie árvores, seja amigo!"


Flores são todas as cores
De tantos amores
Que eu nunca esqueci
Límpida passa no peito essa seiva
Verdade que me une a você

Livre de toda a maldade
Essa tal de amizade pra mim é raiz
Que deixa marcas no solo
É a beleza do colo, do ombro e do sim

Necessidade da terra
Presença
Essencial para a vida

A sua maneira de ser para mim
Já poda o que há de ruim
A minha vontade é de ser pra você
Feito sombra, descanso sem fim
E se algum dia esquecer de mim
Só se lembre que eu tenho raiz
Só se lembre que estou por aqui

Necessidade da terra
Presença
Essencial para a vida

A sua maneira de ser para mim
Já poda o que há de ruim
A minha vontade é de ser pra você
Feito sombra, descanso sem fim
E se algum dia esquecer de mim
Só se lembre que eu tenho raiz
Só se lembre que estou por aqui

(Padre Fábio de Melo).

segunda-feira, 16 de junho de 2014

A Dor

Como explicar uma dor que não é física mas força tanto quanto?
Como explicar que 30 segundos fossem definir o que já deveria estar definido.
Não, você não é ingênuo. Até uma criança consegue entender quando está fazendo mal a alguém. Até uma criança sabe o poder que uma palavra dita num momento errado pode causar. É um sufocamento. Uma vontade de gritar. Uma dor que analgésico nenhum é capaz de curar. O tempo, talvez. Não sei quanto será necessário. O afastamento, talvez. Não sei se sou capaz. A dor...sem talvez... se faz real neste momento. Dor que não se explica. Que não se justifica. Dor que é dor e só. Dor que não é no corpo. Dor e só.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Já que é dia...então, falemos: Valentine's Day!

É só uma das dezenas de datas comerciais que nós temos ao longo do ano, mas um clima fica no ar.
Talvez seja o momento em que ficamos mais meigos, mais românticos e até mais corajosos.
Nos dá uma certa coragem para dizer o que sente, para demonstrar amor.
Não há rótulos entre nós. A situação é simples: Estou apaixonada!
Isso é suficiente. Estar apaixonada é uma das melhores sensações do mundo.
Hoje eu não vou dar um "feliz dia dos namorados", afinal, não somos - e talvez nunca seremos, mas quero falar do quão bem você me faz.
Um sentimento que me faz sorrir toda manhã, que me faz sorrir toda noite.
Que me faz sorrir porque você é um bocó do riso fácil.
Um gatinho de 30 e poucos anos, mas que age como adolescente.
Tá, irrita, às vezes, mas não tem como ficar com raiva de uma pessoa tão autêntica e tão espontânea.
Um meninão que não cresceu.
Um homem que abraça forte, que sorri com os olhos e tem o sorriso mais sincero que já conheci.
Se fosse te definir em uma palavra seria: Alegria.
E a tua alegria me contagia de tão forma que tudo ficou mais alegre depois que te conheci.
Das surpresas da vida, você foi o melhor presente.
Que me ensina a viver cada dia de cada vez.
Que me faz viver na corda bamba.
E caminhar em um terreno com campo minado. Mas...

"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!"


(Angélica Souza)

terça-feira, 27 de maio de 2014

Vários ninhos...ou nenhum

Sempre disseram que "os opostos se atraem".
Me atraiu por ter exatamente o que falta em mim.
Sorriso fácil. Leveza. Um toque de irresponsabilidade.
Aventureiro. Não se apega. Curte a vida.
Sou séria demais. Carrego nos ombros o peso de uma vida marcada por relacionamentos conflituosos.
Gosto de pés no chão. Me apaixono fácil. Curto a vida (só que do meu jeito).
Querer você é algo que me consome.
Desejar você é algo que é uma constante em minha vida.
Os pontos em comum são poucos ou talvez sejam demais.
Quero liberdade. Mas na minha liberdade quero ser livre para estar com você.
Você quer asas. Ou vários ninhos. Um só não te preenche.
Nunca gostei de ninhos. Nenhum. Nenhum me prendeu.
Prefiro a liberdade do céu limpo de verão.
Prefiro sentir a chuva molhando minhas asas.
E nada melhor do que se secar acompanhada.
E foi teu ninho que escolhi.
Logo você que é tão diferente de mim.
(Angélica Souza)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Sobre o ciúme...

Sou uma pessoa em processo de recuperação, como o AA (Alcoólicos Anônimos) . Evito o primeiro lance de olhar e repito para mim mesma POR HOJE NÃO vou fuçar as redes sociais dele.
Sou adepta da frase "o que os olhos não veem, o coração não sente", então prefiro ignorar certas situações para não morrer com meu próprio veneno. Sim, porque, o ciumento é uma pessoa que vive enferma. Quer saber o que o outro está fazendo a todo instante e vai se sufocando, sorvendo o veneno fabricado pela sua mente doentia.
Engraçado. Mesmo sendo extremamente ciumenta, odeio que tenham ciúmes (e principalmente, me cobrem ciúmes). Prezo por minha liberdade e posso afirmar: Quanto mais livre me deixar, mas presa estarei à pessoa. Não adianta ficar me pentelhando - isso vale para amigos também - porque, por mais que eu entenda o que a pessoa sente (sou ciumenta assumida, lembra?) não admito qualquer manifestação do tipo.

Seguem algumas técnicas que funcionam (pelo menos comigo):

- Troque a estrelinha de "Melhores Amigos" do Facebook - aquela que quando você marca aparece TODAS as notificações do contato - por "Deixar de Seguir". Não precisa excluir. A pessoa nem vai saber que você não recebe o feed de notícias dela. É uma atitude simples que faz com que você sofra menos imaginando besteira cada vez que ele posta algo ou curte a foto de uma gostosona que ele sequer conhece.

- Mude o tipo de notificação do WhatsApp de "visualizado por último às...". Basta colocar lá "ninguém", que além de ninguém ver o horário que você visualiza, você não precisa ficar checando, a cada 15 minutos, se a pessoa visualizou e ignorou o que você escreveu. É angustiante ver que a pessoa está "visualizando" (o que não significa que seja sua postagem) e não respondendo. Além de você ficar tentando dar uma de "mãe Dinah" - que Deus a tenha - imaginando com quem a pessoa está falando e não com você.

-Não pergunte. Se você não quer saber, não adianta perguntar o que a pessoa está fazendo. Dependendo da resposta você vai ficar mal. Então, volto a dizer "o que os olhos não veem...a gente não precisa saber".

- Falou e ele não respondeu? Não insista. É melhor pensar que ele está sem internet, sem tempo, sem qualquer coisa, do que ficar mandando uma nova mensagem a cada cinco minutos. (Tá, eu confesso que busco outras redes como Facebook, SMS, Viber...) Mas é chato isso, então, não faça com o outro o que você não gostaria que fizessem com você! Regra de OURO!

Isso é o básico do kit de sobrevivência do ciumento. Ou você começa com pequenas doses ou você morre antes mesmo de qualquer relacionamento nascer.

(Angélica Souza)

terça-feira, 20 de maio de 2014

Três...

Esse é o número de dias que tento escrever.
Minha cabeça está tão confusa que nem as palavras escritas saem...faladas, então... nem com muito esforço.
Depois de anos bancando o iceberg, eu me apaixonei.
A pergunta é: Como?
As pessoas dizem que é cedo demais - como se houvesse um prazo para gostar de outra pessoa.
As pessoas também dizem "deixa pra lá, parte pra outra", como se fosse fácil ligar e desligar o botão: APAIXONADA - ON/ OFF.
Juro que não escolhi não, pois se houvesse opção, eu teria me apaixonado por alguém que ao menos tentasse gostar de mim.
Começamos pelo fim. Fomos rápidos demais.
Sozinha consegui brigar com um grupo inteiro - ou o grupo tomou partido de uma pessoa que se recusou a me ouvir, ouvir meus argumentos.
Não posso dizer que tudo começou como uma brincadeira, porque não foi.
Talvez a situação inicial tenha sido uma brincadeira, mas desde o primeiro momento eu sabia exatamente o que eu queria: Você!
E se houve um erro foi "entregar o ouro ao bandido", porque com minha língua enorme, jornalística, acabei despertando um interesse em outras pessoas. Daquele tipo de pessoa que se interessa justamente pelo "gramado" do vizinho. Para alguns, uma amizade perdida. Para mim, um apenas uma realidade mostrada. Uma fragilidade clara de algo que nunca foi amizade de verdade.
Mas não, este post não é para ela. É para ele!
Ele que chegou com cara de menino, sorriso de bobo, e simplicidade de criança - talvez um pouco de ingenuidade também.
Chegou e me tirou da zona de conforto. Do meu congelador.
Quando penso que tudo aconteceu em menos de dois meses, talvez concorde com o que as pessoas dizem: É cedo demais, mas É...
É tempo suficiente para chorar escondido. Tempo para pensar em todo momento. Tempo de frio na barriga. Tempo de descobrir o que fazer para TE FAZER feliz. Tempo de fazer planos só meus. Tempo de ficar angustiada sem notícias suas. Tempo de conhecer. De querer. De desejar...de sofrer.
Talvez tempo de desistir. Talvez tempo de me afastar. Talvez tempo de parar...Mas..."Se depender de mim eu vou até o fim..." (ainda que o fim seja agora).




segunda-feira, 19 de maio de 2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014

+ Sentimento - Tecnologia


Sim, sou jornalista, (quase) especialista em marketing e mídias digitais.
Sim, vivo conectada 24h por dia e a primeira atividade quando acordo (mesmo às 5h da manhã) é conferir WhatsApp, Facebook e Instagram.
Sim, eu confiro mil vezes no dia o que está acontecendo pelo mundo e me desespero quando meu celular começa a apontar que vai descarregar (tá, eu também confesso que ando com dois celulares porque se um descarregar ainda resta o outro).
Sim, faço check in, compartilho imagens, situações, vida...
Sim, eu confesso: Essa dependência tecnológica não é opção, é necessidade.
Hoje me dia, as redes sociais digitais estão cada dia mais tomando o espaço na vida das pessoas. Há uma necessidade desenfreada de estar conectado e de ser multifuncional. A gente quer falar com 20 pessoas ao mesmo tempo no WhatsApp, quer ver o que o vizinho está postando, quer saber como o amigo está se sentindo, que ver se há fotos bonitinhas, quer ouvir música enquanto conversa, assistir filmes, TV, novelas e tudo ao mesmo tempo.
Uma vez li uma frase que dizia que "em tempos de WhatsApp ligação é prova de amor". E é mesmo!
Já imaginou? Deixar de conversar com 15894786743 pessoas ao mesmo tempo e dar atenção só a uma?
Isso é a maior prova de amor que existe.
Cada vez mais as operadoras oferecem "ligações ilimitadas", mas para que? As pessoas não se ouvem mais. As pessoas teclam. Conversar, ouvir a voz, sentir o tom, a respiração está quase em extinção. Pessoalmente então, nem pensar!
A dependência é gerada pelo mundo em que se vive. Estamos "volúveis" demais.
Queremos estar com muitas pessoas ao mesmo tempo, sem perceber que cada dia que passa estamos ainda mais sozinhos, isolados.
Sou da época em que telefone era fixo, existia telefone público de ficha e eu amava ficar com o bolso cheio e passar 30 minutos conversando - e atrapalhando quem queria ligar. Depois a felicidade chegou com os cartões. Ter um cartão para telefonar facilitou muito nossa vida. Namorar por telefone, claro que, depois de passar horas namorando pessoalmente, afinal, o telefone era só para matar um pouco da saudade antes de dormir, por exemplo.
Éramos mais presentes na vida uns dos outros. Sentíamos mais. Hoje é tão mais simples colocar um emotion e fingir que está feliz. Que está tudo bem. Por telefone a voz trava. O choro não consegue ser disfarçado. A raiva se acusa na voz embargada.
Hoje o silêncio das palavras não ditas imperam nas plataformas digitais. Você ficou com raiva, silêncio. Ficou triste, silêncio. Está apaixonado, silêncio. Dias depois você coloca um :) e tudo volta a ser o que era antes - ou o que nunca foi de verdade.
A solidão acompanhada ou a companhia solitária nos escraviza.
Precisamos cada vez  mais de Smartphone - com internet boa, claro - para fazer parte do mundo real, de pessoas virtuais.
(Angélica Souza)

Encontrei  um vídeo que traduz bem isso. Acho que nunca é tarde para "olhar para cima":


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Palavra Nome

A palavra que nega
Outra palavra dada
A palavra que erra
Uma palavra exata
A palavra que berra
A palavra que cala
A palavra que cega
O olhar dos olhos d'alma
A palavra que é seta
O alvo da palavra
Que é ida
Que é partida
É porto
É chegada
Meu coração bateu
Teu nome na palavra
Meu corpo o gozo
O cio
O sexo da palavra
Febre da palavra
Arde em mim
Água da palavra
Beba-me
Língua da palavra
Beija-me
E mata minha sede
Da palavra amor
A palavra que cega
Outra palavra clara
Palavra que é paixão
Chão da palavra nada
A palavra que acalma
A palavra que exalta
Palavra que é mundana
Palavra sagrada
(André Rio)


sábado, 10 de maio de 2014

Profissão: Guia de Turismo

Foi no ano de 2002 em que ganhei uma carteirinha de super bairrista-mor. Sim, o guia de turismo que não é bairrista não existe, afinal, Recife é a cidade onde tem o maior bloco carnavalesco do mundo, a praia urbana mais limpa - apesar dos tubarões que são nossos bichinhos de estimação -, o melhor carnaval.
Pernambuco tem o maior teatro ao ar livre do mundo. Os mais belos cartões postais. "É só aqui que tem, só aqui que há, Duda do Frevo, Alceu, Antônio Nóbrega...Rio de Passos, Chuva de Sombrinhas".
Temos os melhores artistas, o aeroporto mais lindo do Brasil. Temos a primeira Ponte da América Latina. A Igreja mais antiga em funcionamento do Brasil. A Primeira Sinagoga das Américas. Sim, nós temos também o título de ter tido o primeiro pedágio do mundo.

Eu já era apaixonada pelo Estado, mas o curso me fez ficar ainda mais encantada. Resgatar a história. A cultura. Descobrir que Pernambuco é rico do Litoral ao Sertão, passando pelas Zonas da Mata Sul e Norte. E ser Guia de Turismo foi uma das mais ricas experiências da minha vida. Poder ser BAIRRISTA com carteirinha e tudo. Mostrar o que temos de melhor e se orgulhar de ser pernambucana. Conhecer gente de outras culturas, cidades, estados, países. Tempo bom demais.
Nos quatro anos oficialmente - e exclusivamente - como profissional do Turismo me deu orgulho demais.

A vida me fez seguir por outros caminhos. Descobrir minha vocação para as palavras escritas, sem nunca perder a essência de embaixadora de Pernambuco. Onde quer que eu esteja, sempre vou levar "a minha cidade, o meu lugar", tão bem cantada pelo Rei Reginaldo Rossi.
Hoje é dia de todos que fazem esse belo trabalho de divulgar, de ter a arte de "bem-receber" o turista.
À todos os meus amigos, Guias de Turismo, profissionais que trabalham 20h por dia, sem perder o sorriso, a simpatia, a alegria de servir, dou meus parabéns!
Tenho orgulho de todos vocês com quem trabalhei em tantos eventos, congressos ou que encontrei nos receptivos da vida e sempre me acolheram com tanto carinho. Amigos guias, o dia é todo de vocês hoje - em pleno sábado é até maldade, pois sei que é o dia em que mais trabalhamos, mas aproveitem, celebrem, curtam.

Obrigada por representar tão bem nosso lugar, nossa história, nossas riquezas!











Paz e Bem!

Paz e Bem!

Paz e Bem!!!



"Paz e Bem" é o mesmo que dizer: o amor de Deus que trago em meu ser, é a mesma pessoa que reconheço nos outros e no mundo e, por causa d'Ele, devemos viver a caridade - o Bem - entre nós.