terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Redes Sociais ou Antissociais?
Que as redes sociais hoje representam o grande “boom” da era da informação e são o alvo preferido do chamado marketing 2.0 estamos carecas de saber. Palestras de ferramentas de marketing e de estratégias de consumo vez ou outra retomam a mesma temática do assunto. Outro lado não muito dito sobre o “fenômeno” das redes sociais é o que alguns especialistas da área estão denominando como redes antissociais. Trata-se do poder dessas redes de minimizar e, em casos mais extremos, retirar todo o convívio presencial entre as pessoas.
No Brasil, essa dependência exacerbada das redes sociais começou com Orkut que se tornou uma ferramenta útil para encontrar conhecidos nos quais as pessoas não tinham muito contato, porém hoje é fácil encontrar na rede social perfis lotados de “amigos” e uma mesma pessoa com 2, 3 até 4 perfis na mesma rede social. No mesmo caminho se popularizou por aqui o Facebook, mais completo e capaz de mostrar aos seus amigos o que você gosta ou que curte em tempo real. Hoje se vive quase um massacre social ocasionado pelo Twitter. E neste âmbito é que cada vez mais ganha força a expressão “redes antissociais”.
Os dados de que os brasileiros passam horas e mais horas por mês em redes sociais, que somos o povo que mais acessa esse tipo de conteúdo no mundo e que milhares de internautas navegam mais tempo nessas redes que nos próprios e-mails, já são estatísticas que não surpreendem até os mais incrédulos ao poder das redes sociais. Contudo, a influência dessas redes é tão grande que estas saíram da tela do computador e vieram para a vida real. As mesas de restaurantes foram invadidas por celulares que entre uma garfada e outra recebem um acesso ao Twitter ou aoFacebook. Amigos se falam no mesmo shopping por “twittadas” e até namorados preferem avisar para toda sua rede social que estão com saudade do seu parceiro em vez de de ligar para a pessoa amada. Sim, estamos mais antisociais.
A força dessas redes sociais é tanta que extrapola e derruba teses referenciais de gurus de marketing sobre o comportamento do consumidor. Fotografias não são mais tiradas como recordações, mas sim como “provas” do seu final de semana fora de casa para seus amigos no Orkut. Até os celulares que surgiram como a melhor forma de comunicação por voz das últimas décadas hoje são comercializados como eletroportáteis para acesso instantâneo às redes sociais. Programas de televisão, sobretudo os humorísticos, disputam a audiência através do Twitter e os publicitários preferem investir em programas rentáveis nessas redes do que na própria métrica do Ibope.
No âmbito de relacionamentos as redes sociais também influenciam cada vez menos o contato social. Grandes partes dos usuários das redes têm mais amigos virtuais do que no próprio dia-a-dia. Compartilham segredos com amigos que estão a quilômetros de distância e que jamais viram mais que meia dúzia de fotos. A confiança passa a se estabelecer por afinidades e não pelo convívio e pela tão famosa simpatia entre os santos de cada um. Fãs que outrora eram enlouquecidas pelos seus ídolos e dedicavam árduos meses para confeccionar cartas quilométricas escritas à mão hoje fazem a mesma demonstração em menos de 140 caracteres no Twitter.
A força dessas redes sociais é capaz de mudar os fluxos mais ortodoxos de um processo seletivo. Cada vez aumenta o número de jovens que são contratados com anúncios em redes sociais sem se quer participar de uma dinâmica em grupo ou a testes psicotécnicos. Empresas não realizam mais sorteios que demandem cartas ou exaustivos processos de sorteio, basta uma divulgação simples, algumas “tuitadas”, algumas “curtidas” e escolhe-se o ganhador nas redes sociais. Talvez o próximo marco das redes sociais seja a formalização de tempos verbais e palavras à língua portuguesa que denotam expressões utilizadas exclusivamente por causa desse fenômeno. Então não será mais tão banal uma redação da OAB conter frases como “ontem twittei que estava passando mal” ou “a minha vida orkutizou de vez”.
Por Rafael Avelar, analista de mídias sociais do grupo RBS. @rafael_avelar
Texto retirado do blogmidia8.com
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Paz e Bem!
Paz e Bem!!!
"Paz e Bem" é o mesmo que dizer: o amor de Deus que trago em meu ser, é a mesma pessoa que reconheço nos outros e no mundo e, por causa d'Ele, devemos viver a caridade - o Bem - entre nós.

Um comentário:
Verdadeiramente a alta tecnologia tem consguido sem muito esforço aumentar o desconforto de quem se vê de certa forma trocado pelo uso excessivo das redes sociais... E o pior é que isto só tende a crescer, pois as pessoas perdem completamente o bom senso no uso do que poderia ser apenas uma ferramenta de trabalho ou mesmo lazer... Contanto que fosse feito de forma moderada.
Postar um comentário