quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Carta aberta de Dom Fernando Saburido

“Para encontrar a Deus, é preciso encontrar antes o ser humano”

Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife.

Queridos irmãos e irmãs,

Com essas palavras, no dia 07 de dezembro de 1965, o papa Paulo VI iniciou o seu discurso para encerrar o Concílio Vaticano II. Assim, ele indicava o caminho para a missão da Igreja: encontrar o ser humano, ser irmão/irmã de toda humanidade.

Neste momento em que nossa arquidiocese, atendendo ao apelo do atual papa Bento XVI celebra o ano da fé, com novo ímpeto missionário, nos 50 anos da inauguração do Concílio, essas palavras de Paulo VI podem servir de rumo para nossa ação pastoral e para a celebração do Natal. De fato, em Jesus Cristo se torna plena verdade a palavra do Gênesis: “Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança” (Gn 1, 27). São Paulo afirmou: “O Cristo é a imagem do Deus invisível, primogênito de toda criação” (Cl 1, 15). Para confirmar e reforçar o ímpeto missionário que perseguimos, desde a Assembleia de 2010, nossa Igreja particular de Olinda e Recife está trabalhando o seu “Plano Arquidiocesano de Pastoral” tendo como fonte motivadora, dentre outras, a eclesiologia e a dimensão pastoral do Concilio Vaticano II, que ainda tem muito a nos ensinar.

No Natal, Deus nos chama todos a ser humanos como Jesus. Esse é o caminho para cada um de nós e também para a Igreja como comunidade de discípulos do Senhor. A missão primeira é viver o seguimento de Jesus. Na casa do centurião Cornélio, o apóstolo Pedro resumiu assim a missão de Jesus: “Jesus de Nazaré foi o homem consagrado (ungido) por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos, porque Deus estava com Ele” (At 10, 38). Se a missão de Jesus foi essa; como Igreja, a nossa não pode ser outra: abrir-nos ao Espírito de Deus que nos preenche. Ser cheios do Espírito é a dimensão primordial da fé. Ser cheios do Espírito tem como primeiro sinal fazer o bem e cuidar dos que sofrem. É a dimensão profética e social da fé, essencial e indispensável à missão da arquidiocese. Esse cuidado com os mais pobres é o sinal mais visível e claro da presença e da atuação de Deus em nós. O Natal nos convida a viver isso não como trabalho ocasional, mas como missão que toma a vida inteira e condiciona nosso modo de ser.

Estamos acompanhando com dor e inquietação o drama que está vivendo a população carente do sertão, no nordeste do Brasil. Pessoas humanas sobrevivem, em condições precárias, graças à bolsa família ou estiagem oferecida pelo governo, enquanto os animais e as plantas morrem, impiedosamente, por falta de água e alimento. Perguntamo-nos: Até quando a miséria do povo será usada para promover o paternalismo e beneficiar políticos inescrupulosos? Porque não investir, para valer, na convivência com o semiárido, a exemplo de outros países que vivem experiências semelhantes, com inteligência e vontade? Que nossas pessoas e nosso modo de viver sejam como a gruta de Belém, útero de uma vida nova para nós e para o mundo todo.

Com esse apelo pastoral, desejo a todos os irmãos e irmãs uma celebração renovadora do Natal e boas festas de final de ano.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Confras...

Dezembro é um mês de muitas confraternizações, mas uma, em especial, me deixou muito feliz.
Reencontrando as primeiras pessoas com quem tive contato em sala de aula ( Aracely e Cleber) e os meninos com quem partilhei bons momentos, ainda no primeiro período (Anderson e Diogo). Gessica e Emanuel David DLúcard que chegaram para somar boas amizades na minha vida!
Obrigada por esse momento único! 
Feliz Natal e um 2013 de muito sucesso para todos nós, jornalista COM DIPLOMA!!!!!

Em clima de Natal

"Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes."

(R. Russo)

E parece que o natal deixa todo mundo assim...
E o clima natalino faz com que todo mundo pareça feliz.
Sorrisos, famílias, musiquinhas, ceia, harmonia.
Pena que, após a meia-noite, todos durmam e acordem sem papai noel, sem presentes, sem esperança, sem nada.
No dia seguinte tudo volta a ser como antes: nada é perfeito!

"Tudo seria bem melhor
Se o Natal não fosse um dia
E se as mães fossem Maria
E se os pais fossem José
E se os filhos parecessem
Com Jesus de Nazaré"
(Pe. Zezinho)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra

(Legião Urbana)

Redes Sociais ou Antissociais?


Que as redes sociais hoje representam o grande “boom” da era da informação e são o alvo preferido do chamado marketing 2.0 estamos carecas de saber. Palestras de ferramentas de marketing e de estratégias de consumo vez ou outra retomam a mesma temática do assunto. Outro lado não muito dito sobre o “fenômeno” das redes sociais é o que alguns especialistas da área estão denominando como redes antissociais. Trata-se do poder dessas redes de minimizar e, em casos mais extremos, retirar todo o convívio presencial entre as pessoas.

No Brasil, essa dependência exacerbada das redes sociais começou com Orkut que se tornou uma ferramenta útil para encontrar conhecidos nos quais as pessoas não tinham muito contato, porém hoje é fácil encontrar na rede social perfis lotados de “amigos” e uma mesma pessoa com 2, 3 até 4 perfis na mesma rede social. No mesmo caminho se popularizou por aqui o Facebook, mais completo e capaz de mostrar aos seus amigos o que você gosta ou que curte em tempo real. Hoje se vive quase um massacre social ocasionado pelo Twitter. E neste âmbito é que cada vez mais ganha força a expressão “redes antissociais”.

Os dados de que os brasileiros passam horas e mais horas por mês em redes sociais, que somos o povo que mais acessa esse tipo de conteúdo no mundo e que milhares de internautas navegam mais tempo nessas redes que nos próprios e-mails, já são estatísticas que não surpreendem até os mais incrédulos ao poder das redes sociais. Contudo, a influência dessas redes é tão grande que estas saíram da tela do computador e vieram para a vida real. As mesas de restaurantes foram invadidas por celulares que entre uma garfada e outra recebem um acesso ao Twitter ou aoFacebook. Amigos se falam no mesmo shopping por “twittadas” e até namorados preferem avisar para toda sua rede social que estão com saudade do seu parceiro em vez de de ligar para a pessoa amada. Sim, estamos mais antisociais.

A força dessas redes sociais é tanta que extrapola e derruba teses referenciais de gurus de marketing sobre o comportamento do consumidor. Fotografias não são mais tiradas como recordações, mas sim como “provas” do seu final de semana fora de casa para seus amigos no Orkut. Até os celulares que surgiram como a melhor forma de comunicação por voz das últimas décadas hoje são comercializados como eletroportáteis para acesso instantâneo às redes sociais. Programas de televisão, sobretudo os humorísticos, disputam a audiência através do Twitter e os publicitários preferem investir em programas rentáveis nessas redes do que na própria métrica do Ibope.

No âmbito de relacionamentos as redes sociais também influenciam cada vez menos o contato social. Grandes partes dos usuários das redes têm mais amigos virtuais do que no próprio dia-a-dia. Compartilham segredos com amigos que estão a quilômetros de distância e que jamais viram mais que meia dúzia de fotos. A confiança passa a se estabelecer por afinidades e não pelo convívio e pela tão famosa simpatia entre os santos de cada um. Fãs que outrora eram enlouquecidas pelos seus ídolos e dedicavam árduos meses para confeccionar cartas quilométricas escritas à mão hoje fazem a mesma demonstração em menos de 140 caracteres no Twitter.

A força dessas redes sociais é capaz de mudar os fluxos mais ortodoxos de um processo seletivo. Cada vez aumenta o número de jovens que são contratados com anúncios em redes sociais sem se quer participar de uma dinâmica em grupo ou a testes psicotécnicos. Empresas não realizam mais sorteios que demandem cartas ou exaustivos processos de sorteio, basta uma divulgação simples, algumas “tuitadas”, algumas “curtidas” e escolhe-se o ganhador nas redes sociais. Talvez o próximo marco das redes sociais seja a formalização de tempos verbais e palavras à língua portuguesa que denotam expressões utilizadas exclusivamente por causa desse fenômeno. Então não será mais tão banal uma redação da OAB conter frases como “ontem twittei que estava passando mal” ou “a minha vida orkutizou de vez”.

Por Rafael Avelar, analista de mídias sociais do grupo RBS. @rafael_avelar


Texto retirado do blogmidia8.com

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Eu sei, mas não devia.

Texto: Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(1972)

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.


O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Tá combinado

Então tá combinado, é quase nada

É tudo somente sexo e amizade.

Não tem nenhum engano nem mistério.

É tudo só brincadeira e verdade.

Podemos ver o mundo juntos,

Sermos dois e sermos muitos,

Nos sabermos sós sem estarmos sós.

Abrirmos a cabeça

Para que afinal floresça

O mais que humano em nós.

Então tá tudo dito e é tão bonito

E eu acredito num claro futuro

de música, ternura e aventura

Pro equilibrista em cima do muro.

Mas e se o amor pra nós chegar,

De nós, de algum lugar

Com todo o seu tenebroso esplendor?

Mas e se o amor já está,

se há muito tempo que chegou

E só nos enganou?

Então não fale nada, apague a estrada

Que seu caminhar já desenhou

Porque toda razão, toda palavra

Vale nada quando chega o amor...


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Eu quero Frevoo

Foto: Divulgação
Que ironia! 
No ano em que o frevo recebe o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade, pela Unesco, os bailes tradicionais da cidade anunciam Fafá de Belém, Cheiro de Amor, Preta Gil, Terra Samba como atrações principais.
Será que os organizadores dos eventos esquecem que Pernambuco tem Alceu, André Rio, Nena Queiroga, Almir Rouche, Gustavo Travassos, Nonô e Claudionor Germano, Maestro Forró, Spok... Entre tantos outros nomes da cultura pernambucana?
Eu não troco MEU FREVO pelo AXÉ de ninguém... no dia que eu quiser ouvir música baiana eu vou passar o carnaval em Salvador. 

"Eu quero ver se tem troça que escolha, como em Olinda que tem a Ceroula"...

Angélica Souza

Paz e Bem!

Paz e Bem!

Paz e Bem!!!



"Paz e Bem" é o mesmo que dizer: o amor de Deus que trago em meu ser, é a mesma pessoa que reconheço nos outros e no mundo e, por causa d'Ele, devemos viver a caridade - o Bem - entre nós.