Passei 18 anos da minha vida acreditando que tinha uma amiga de infância.
Alguém que estaria ao meu lado em todos os momentos, nos felizes e nos tristes.
Alguém que iria gostar de mim mesmo conhecendo minhas limitações.
Mas isso não aconteceu.
Depois de todos esse anos, as últimas frases que recebi dessa pessoa foram:
- Estou comemorando meu aniversário com os que me amam e que me aceitam como eu sou!
-Deixa de ser fingida, garota!
-Espero que você não espere seus bônus (de meia-noite) entrar para poder responder minhas mensagens.
De repente, não mais que de repente, me tornei para esta pessoa, uma pessoa fingida, que não mereço estar ao lado dela no dia do aniversário e sem créditos.
Não respondi nenhuma mensagem e não foi por não ter créditos e sim, por não cair no mesmo erro da pessoa e sair disparando ofensas desnecessárias. Afinal de contas, uma pessoa que me conhece há tantos anos me chamar de garota fingida, mostra que nunca me conheceu.
Porque estou escrevendo aqui? Porque, apesar de sentir falta do que eu pensei que ela fosse durante 18 anos, eu não acho que valha a pena procurá-la.
Se ela me vê assim, que fique com quem ela pensa ser suas 'amigas eternas e verdadeiras'. Um dia passa.
E saudade é bem isso. Você sente falta da pessoa, mas se ela não está ao seu lado é porque um motivo muito mais sério impediu.
Se hoje estamos separadas e há mais de dois meses não trocamos sequer um "oi", é porque nossa amizade foi coisa de criança, que deveria ter terminado antes de todas as acusações e agressões.
Se hoje estamos separadas e há mais de dois meses não trocamos sequer um "oi", é porque nossa amizade foi coisa de criança, que deveria ter terminado antes de todas as acusações e agressões.
Talvez tivéssemos mantido apenas as boas lembranças. Lembranças das noites no portão, lembranças das paqueras infantis, das fotos de Xuxa e Angélica partilhada, dos jogos de vólei na chuva e os passeios de bicicleta no final da tarde.
Crescemos.
E o crescimento nos fez apodrecer o que de belo existia.
Ressentimento não leva ninguém a lugar nenhum, mas como todos os relacionamentos, a amizade quebrada é como um cristal: Impossível juntar os pedacinhos. Ou você se corta, ou vai deixar uma cicatriz enorme que nenhum pedido de desculpa vai resolver.
Palavras doem. Palavras ferem.
Uma pessoa que me conhece (ou que conviveu comigo) por tantos anos, poderia me fazer qualquer acusação: Infantil, imatura, inexperiente, chata, arrogante, mal humorada, grossa... mas FINGIDA, NUNCA.
E se me acha fingida, para quê ser "amiga"?
Amizade é outra coisa.
(Angélica Souza)

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