Concordei com algumas partes, outras não, mas descobri que, melhor do que a fase dos 25, é chegar aos 30.
Briquei muito sobre isso. Agora eu sou uma 'trintona', mas, embora eu esteja nos meus recém-completados 30 anos, já consegui descobrir muitas coisas.
Descobri aos 30 que, tempo de amizade não é FGTS. Você 'ser amiga' de alguém há mais de 15 anos não significa que existe um fundo de garantia que a amizade nunca mais acabar. Não é porque nos conhecemos antes da minha primeira menstruação, que continuaremos a ser amigas até a menopausa. Amizade não é como vinho que 'quanto mais velho melhor', pelo contrário, amigo que acha que você é funcionário de uma empresa do qual ele gerencia a sua vida, na verdade nunca o foi. É só o desejo de possuir. Desejo de dominar para poder dizer aos novos amigos que tem uma "amiga de infância". Isso deve fazer bem ao ego, superego e sei lá o que mais.
Descobri aos 30 que não adianta manter o homem que você ama ao seu lado, se na verdade ele quer está ao lado de outra (ainda que esta outra seja só um estereótipo, que talvez nem exista). Amor nenhum vale isso. Descobri que se mutilar, que bancar a amiga só pela companhia do ser amado pode ser uma prova de amor...a ele, mas uma amputação do seu amor próprio. Você pode continuar amando-o e esperando-o, mas só se ele vier por inteiro. Amor pela metade, amor onde só um ama, não vale a pena. Aos 30 anos posso dizer que AMO e amo muito, mas eu preciso me amar muito mais. Amor que dá náusea no meio da semana, sem ter comido ou bebido nada que pudesse fazer mal. Amor que faz adoecer. Amor nos deixa prostrado, não é um 'amor bom'. É, no mínimo, um amor adoecido, que esqueceu que para se amar a alguém é preciso se amar primeiro.
Descobri aos 30 que o momento de se viver é agora. Que não adianta esperar porque simplesmente o telefone não vai tocar, e que você pode enviar um milhão de torpedos e não conseguirá dizer em 140 caracteres o que realmente sente, então, pra que tentar?
Descobri aos 30 que não nasci agarrado com ninguém (não sou gêmea siamesa) para depender das pessoas para sair. Já tenho idade suficiente para ir e vir... ainda que para isso precise ir sozinha.
Descobri aos 30 que ficar sozinho é bom (não todo o tempo), mas a solidão te livra de usar uma máscara que não serve para nada.
Descobri aos 30 que você precisa estar em sintonia com Deus, mas que a religião é totalmente desnecessária.
Se Deus não te ouvir no silêncio do seu quarto também não ouvirá no meio de pessoas egoístas que no fundo estão ali só pensando em si próprias. Lembro-me que em uma das passagens bíblicas Jesus disse: "Onde dois ou mais estiverem reunidos no meu nome, eu ali estarei", mas quem me garante que uma Igreja lotada (ou qualquer outra instituição religiosa) está ali funcionando como Jesus queria que estivesse? Quem me garante que eles estão orando pelo mesmo Deus ou pelo bem da humanidade. Podem estar todos reunidos, mas como na Torre de Babel.
Descobri aos 30 que por mais perfeita que eu tenha tentando ser ao logo dos anos, meus pais não vão me admirar mais por causa disso. Perfeição é um estado de espírito onde cada um considera perfeito aquilo que lhe convém. Hoje posso ser a boa filha e amanhã, simplesmente porque não cheguei sorrindo, ser a ovelha negra da família.
Descobri aos 30 que não adianta emagrecer pelos outros. Você não bebe, não fuma, não tem namorado... ainda querem te impedir de realizar o desejo de comer? Dietas servem para que mesmo? Para ficar boazuda e aquele 'boyzinho' te notar, mas te trocar pela primeira pessoa cheia de vícios?
Descobri que não vale a pena mudar o visual se a alma não mudou.
Descobri que um belo corte de cabelo até levanta tua auto-estima, mas que não adianta esperar o único elogio que você queria ouvir porque simplesmente essa pessoa não existe.
Aos 30 anos descobri que não vale a pena lutar pelo amor de alguém.
Se esse alguém tiver de estar na sua vida, ele vem, mesmo que para isso demore mais 30 anos...
(Angélica Souza)
(Angélica Souza)

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