sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Boneca na vitrine

Quando eu era criança eu tinha muitas bonecas velhas.
Muitas eu já ganhava "usada". Vinha de alguma prima 'mocinha' que não queria brincar de bonecas, outras eu mexia tanto que terminava desmantelando as coitadas.
Sempre que minha mãe resolvia fazer arrumação nos meus brinquedos, queria jogar as mais 'acabadas' fora. Dizia que estavam feias, descabeladas ou até sem um braço e uma perna, mas eu, em minha inocência ou sensibilidade excessiva, achava que, se as desprezasse, elas iriam sofrer. Pior, eu acreditava mesmo nisso.
Pensava que boneca tinha sentimento. Sempre procurava brincar com todas igualmente, para não deixar nenhuma 'de canto', solitária, triste.
Essas situações me vieram a mente hoje... Não sei por qual motivos.
A verdade é que me comparo a bonecas. Não as velhas, usadas, mas àquelas desgastadas.
Sabe aquela boneca que está na loja, mas que algum curioso quis descobrir o que tinha dentro da caixa, olhou, tocou, 'amolegou' e deixou lá?
Depois vieram outros e outros que, por mais que tocassem, e vissem como aquela boneca é, sempre leva a outra, a intocada, que está no seu cantinho só esperando ser levada para casa.
Enquanto isso, os anos vão passando. E de repente nem existe mais bonecas iguais a você, que estejam nas suas caixas. Você agora é única na loja. Está lá. Sendo ofertada. Mas de nada adianta.
Por mais que você esteja na vitrine e algumas pessoas passem e te admirem pela boneca que um dia você foi, e até entenda tudo isso que você passou e que explicaria o fato de não estar 'novinha em folha', eles não vão te levar para casa.
Sou como uma boneca na vitrine que ninguém escolhe.
O tempo pode não ter me deixado como fui feita, mas ainda sou eu.
O tempo pode ter desgastado algumas partes dos meus sentimentos.
Os que passaram e apenas PASSARAM deixaram algumas marcas, umas cicatrizes e até feridas crônicas impossíveis de cicatrizar, mas me deixaram no mesmo lugar com minha dores e sonhos marcados por decepções.
Mas ainda estou lá...e só queria que você me escolhesse...

(Angélica Souza)

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Paz e Bem!

Paz e Bem!

Paz e Bem!!!



"Paz e Bem" é o mesmo que dizer: o amor de Deus que trago em meu ser, é a mesma pessoa que reconheço nos outros e no mundo e, por causa d'Ele, devemos viver a caridade - o Bem - entre nós.