De repente tudo parou num silêncio absoluto. Silêncio que me fazia ouvir cada gesto teu, mesmo estando de costas pra você. O silêncio que não era interrompido nem mesmo quando um talher batia no outro.
De repente o silêncio invadiu o ambiente. Não era aquele silêncio que precede o beijo. Era o silêncio de quem tinha medo de se magoar. Medo de ouvir. Daí silenciava.
Era o não querer ouvir a resposta que me abalaria ainda mais. Era o não ouvir o que já sabia.
Eu não falava pra não ouvir e você? Acho que você não tinha muito o que falar.
Mas aquele silêncio era diferente. Era doído. Doía o não ouvir, não ter, não ver.
De costas pra você eu até queria te ouvir, mas ouvir o que?
O fingir que nada escrevi? O fingir que nada aconteceu?
Eu só sentia os teus movimentos, entre um prato e outro.
Nada consegui dizer e os pratos e talheres pareciam que não acabariam nunca.
E a casa, cheia de gente, parecia ter parado para ouvir...
O nosso silêncio...
(Angélica Souza)

Um comentário:
Florzinha é impressionante a cena que vemos diante da nossa mente no desenrolar de um silêncio angustiado que transborda da tua alma. Nas entrelinhas vislumbramos um mundo de dúvidas, medos e ansiedades. Parabéns pelo texto, deixaste a alma falar por ti... Amei
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