terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Um dia pode mudar uma vida inteira?


Vejo as pessoas se prepararem para a virada do ano como se este dia fosse capaz de modificar sua própria vida.
Quanta ilusão!
Promessas, planos, expectativas que muitas vezes passam num relance de pensamento e lá mesmo morrem.
Olhamos para o ano que passou e não realizamos sequer 10% de tudo de desejavamos realizar,
daí muitas vezes nos vemos frustrados e sem perspectivas de mudanças.
Felizmente (ou infelizmente), ainda existem muitos que esperam ansiosos pelo dia que irão pular as sete ondas, comer romãs, fazer pedidos e uma lista de futuras realizações.
Será que realmente vale a pena esperar por um dia em que nada de novo vai acontecer, mas que as pessoas apostam como se fosse capaz de mudar suas vidas?
Roupas brancas.
Festas.
Fogos...
Comemorações que só se acabam no dia seguinte com uma bela de uma ressaca e a certeza de que ainda temos mais 365 dias pela frente.
365 dias suados, trabalhados, estressados...
Para uns a esperanças.
Para outros a realidade...
Para mim: Os dois!

A esperança de que algo real aconteça!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Egoísmo


Sinto falta de você.

Mas o que sinto falta é de tudo o que é seu e que me falta.

Sinto falta de minhas faltas que em você não faltam.

Sinto falta do que eu gostaria de ser e que você já é.

Estranho jeito de carecer, de parecer amor.

Hoje, neste ímpeto de honestidade que me faz dizer,

Eu descobri minhas carências inconfessáveis

Que insisto em manter veladas.

Acessei o baú de minhas razoes inconscientes

E descobri um motivo pra não continuar mentindo.

Hoje quero confessar o meu "não amor",

Mesmo que pareça ser.

Eu não tenho o direito de adentrar o seu território

Com objetivo de lhe roubar a escritura.

Amor só vale a pena e for pra ampliar o que já temos.

Você era melhor antes de mim , e só agora posso ver.

Nesta vida de fachadas tão atraentes e fascinantes;

Nestes tempos de retirados e retirantes,

Sequestrados e sequestradores,

A gente corre o risco

De não saber exatamente quem somos.

Mas o tempo de saber já chegou.

Não quero mais conviver com meu lado obscuro,

E, por isso, ouso direcionar meus braços

Na direção da dose de honestidade que hoje me cabe.

Hoje quero lhe confessar o meu egoísmo.

Quem sabe assim eu possa

Ainda que por um instante amar você de verdade.

Perdoe-me se meu amor chegou tarde demais,

Se meu querer bem é inoportuno e em hora errada.

É que hoje eu quero lhe confessar meu desatino,

Meu segrego tão desconcertante:

Ao dizer que sinto falta de você

Eu sinto falta de mim mesma...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O preço da Sinceridade


"Os romanos fabricavam certos vasos de uma cera especial.
Essa cera era, às vezes, tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes.
Em alguns casos, chegava-se a se distinguir um objeto um colar, uma pulseira ou um dado - que estivesse colocado no interior do vaso.
Para o vaso, assim fino e límpido, dizia o romano vaidoso:

- Como é lindo... parece até que não tem cera!
"Sine-cera" queria dizer: "sem cera" uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes. Da antiga cerâmica romana, o vocábulo passou a ter um significado muito mais elevado.

Sincero é aquele que é franco, leal, verdadeiro que não oculta, que não usa disfarces, malícia ou dissimulações.

O sincero, à semelhança do vaso, deixa ver, através de suas palavras, os nobres sentimentos de seu coração."


Atualmente, tenho me perguntado se realmente vale a pena ser "Sine-cera".

O mundo anda tão cheio de máscaras que ser sincero não tem sido uma grande virtude.

As vezes que expressei o que realmente sinto,

as vezes que demonstrei meus desejos mais ocultos,

recebi indiferença.

As pessoas acostumam-se a viver na superficialidade.

Dizer o real interesse,

dizer o quanto gosta de alguém o faz, no mínimo, se afastar.

Não falo de demonstração "melosa", romântica.

Falo apenas de dizer o que pensa sem medo.

Vivo duas experiências semelhantes,

a diferença é que numa eu estava "sine-cera" e na outra eu uso uma máscara do tamanho do mundo. Adivinhem só quem está se saindo como "a pessoa perfeita"?

Exatamente: A máscara.

Quando fui capaz de dizer que amo, que quero estar perto,

que sinto ciumes, que sinto medo,

que gostaria de viver ao lado dessa pessoa,

só consegui fazer com que ela sumisse.

Mas em outra situação estou sendo fria,

fingindo uma naturalidade que não existe.

Sabe aquela música de Cazuza:


"Pra que mentir, fingir que perdoou,

tentar ficar amigos sem rancor?...

A emoção acabou,

que coincidência é o amor.

A nossa música nunca mais tocou..."

É por aí...

Quanto mais finjo que tudo está bem,

mais consigo manter por perto as pessoas que amo
(mas que talvez não me ame tanto assim, porque só me aceita por causa da máscara).

Enfim, qual o preço da sinceridade?

A solidão!

Ainda assim eu prefiro a "verdade tristonha,

a ficar com a mentira risonha".

Paz e bem!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Minha árvore


"Estou preparando a minha árvore de Natal. "



"Quero que ela seja viva, mas não quero que seja exterior.

Eu a quero dentro de mim.

Tenho medo das exterioridades. Elas nos condenam.

Ando pensando que o silêncio do interior é mais convincente que o argumento da palavra.


Quero que minha árvore seja feita de silêncios.

Silêncios que façam intuir felicidade, contentamento, sorrisos sinceros.


Neste Natal não quero mandar cartões.

Tenho medo de frases prontas. Elas representam obrigação sendo cumprida. Prefiro a gratuidade do gesto, o improviso do texto, o erro de grafia e o acerto do sentimento.

A vida é mais bonita no improviso, no encontro inesperado, quando os olhares se cruzam e se encontram.

Quero que minha árvore seja feita de realidades.


Neste Natal quero descansar de meus inúmeros planos.

Quero a simplicidade que me faça voltar às minhas origens.

Não quero muitas luzes.

Quero apenas o direito de encontrar o caminho do presépio para que eu não perca o menino Jesus de vista.

Tenho medo de que as árvores muito iluminadas me façam esquecer o dono da festa.


Não quero Papai Noel por perto.

Aliás acho essa figura totalmente dispensável!

Pode ficar no Pólo Norte desfrutando do seu inverno. Suas roupas vermelhas e suas barbas longas não combinam com o calor que enfrentamos nessa época do ano.

Prefiro a presença dos pastores com seus presentes sinceros.

Papai Noel faz muito barulho quando chega. Ele acorda o menino Jesus, o faz chorar assustado. Os pastores não. Eles chegam silenciosos. São discretos e não incomodam...

Os presentes que trazem nos recordam a divindade do menino que nasceu. São presentes que nos reúnem em torno de uma felicidade única. O ouro que brilha, o incenso que perfuma o ambiente e a mirra com suas composições miraculosas.

O papai Noel chega derrubando tudo. Suas renas indisciplinadas dispersam as crianças, reiram a paz dos adultos. Os brinquedos tão espalhafatosos retiram a tranquilidade da noite que deveria ser silenciosa e feliz.

O grande problema é que não sabemos que a felicidade mais fecunda é aquela que acontece no silêncio.

É por isso que neste Natal eu não quero muita coisa.

Quero apenas o direito de recolher o pequenino menino na manjedoura...

Quero acolhê-lo nos braços, cantar-lhe canções de ninar, afagar-lhe os cabelos, apertar-lhe as bochechas, trocar-lhe as fraldas para que não tenha assaduras e dizer nos seus ouvidos que ele é a razão que me faz acreditar que a noite poderá ser verdadeiramente feliz.


Neste Natal eu não quero muito.

Quero apenas dividir com Maria os cuidados com o pequeno menino. Quero cuidar dele por ela. Enquanto eu cuido dele, ela pode descansar um pouquinho ao lado de José.

Ando desfrutando nos últimos dias o desejo mais intenso de que a vida vença a morte.

Talvez seja por isso que ando desejando uma árvore invisível.

O único jeito que temos de vencer a morte é descobrindo a vida nos pequenos espaços. Assim vamos fazendo a substituição.

Onde existe o desespero da morte eu coloco o sorriso da vida.

Façam o mesmo!

Descubram a beleza que as dispersões deste tempo insistem em esconder.

Fechem as suas chaminés.

Visita que verdadeiramente vale à pena chega é pela porta da frente.

Na noite de Natal fujam dos tumultos e dos barulhos.

Descubram a felicidade silenciosa. Ela é discreta, mas existe!

Eu lhes garanto!

Não tenham a ilusão de que seu Natal será triste porque será pobre. Há mais beleza na pobreza verdadeira e assumida que na riqueza disfarçada e incoerente.


O que alegra um coração humano é tão pouco que parece ser quase nada.

Ousem dar o quase nada.

Não dá trabalho, nem custa muito...

E não se surpreendam, se com isso, a sua noite de Natal tornar-se inesquecível. "


Padre Fábio de Melo!


Paz e Bem!

Paz e Bem!

Paz e Bem!!!



"Paz e Bem" é o mesmo que dizer: o amor de Deus que trago em meu ser, é a mesma pessoa que reconheço nos outros e no mundo e, por causa d'Ele, devemos viver a caridade - o Bem - entre nós.